Chefe de Estado agradeceu a todos os que contribuíram para o "sucesso de Portugal" na prevenção da doença.
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O Presidente da República elogiou esta segunda-feira a "continuidade institucional" no que respeita à política de vacinação contra o HPV, considerando que cada ministro da Saúde "deu no seu período histórico um contributo inestimável para essa prioridade nacional".
Numa cerimónia no Museu dos Coches, em Lisboa, que assinalou o 10.º aniversário da vacinação contra o vírus do papiloma humano (HPV), que pode causar cancro do colo do útero, Marcelo Rebelo de Sousa observou: "Tantas vezes encontramos o contrário, que é as mudanças políticas ou administrativas serem acompanhadas de ruturas no domínio de prioridades. Isso não faz sentido".
Numa curta intervenção, de cerca de sete minutos, o chefe de Estado agradeceu a todos os que contribuíram para o "sucesso de Portugal" na prevenção do HPV nestes dez anos e referiu que "dizem especialistas que talvez faça sentido alargar o rastreio e a vacinação aos homens, e fazê-lo rapidamente".
Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, este poderá ser "o grande desafio" a enfrentar agora: "Dizem especialistas, mas o Presidente da República não é suposto ser especialista na matéria".
"Eu pergunto-me se não será de pensarmos numa outra fase. E essa outra fase tem a ver com a noção que temos hoje de que este problema não é só um problema de mulheres, é também um problema de homens, e com um âmbito etário que é um pouco mais vasto do que aquele que se tinha pensado", expôs.
No início do seu discurso, o Presidente da República saudou a presença de anteriores ministros da Saúde nesta cerimónia, além da atual titular da pasta, Marta Temido, afirmando que representam "uma continuidade institucional" nesta matéria.
Em seguida, considerou que está em causa "o êxito daquilo que foi uma política definida e consistentemente aplicada", que é "um bom símbolo relativamente à ligação entre a democracia e a saúde em Portugal".
No seu entender, "houve sucesso porque houve a exata noção da prioridade da intervenção pública neste domínio: era preciso intervir, através de uma discriminação positiva, para um público-alvo, era preciso intervir rapidamente, era uma corrida contra o tempo".
"Era preciso mobilizar todas as energias, era preciso sensibilizar a opinião pública, a começar no público-alvo, e era preciso contar com a dedicação os profissionais de saúde. Isso aconteceu", prosseguiu.
Dirigindo-se aos antigos ministros da Saúde, entre eles, o anterior, Adalberto Campos Fernandes, Marcelo Rebelo de Sousa acrescentou: "Mas era preciso mais. Era preciso haver continuidade institucional. E essa continuidade institucional está representada pela participação de vossas excelências, sucessivos ministros desta pasta, que são um símbolo também de como, mudando os governos, não mudou uma prioridade nacional".
"Sabemos que se deve planear para o médio-longo prazo e não propriamente estar a gerir o curto prazo. Aqui planeou-se e executou-se numa dimensão de largo fôlego", enalteceu.
De acordo com o Presidente da República, outra "razão do sucesso" na prevenção do HPV foi "uma revolução cultural, uma mudança cultural" que aconteceu em Portugal: "O que era inesperado, surpreendente, estranho há umas décadas passou a ser assumido como uma realidade natural".
O eventual alargamento do rastreio e da vacinação aos homens implicará "uma nova revolução cultural, habituados que se encontram a considerar ser um problema das mulheres, e não da sociedade como um todo envolvendo os próprios homens", disse.
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