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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Presidente da Junta de Freguesia de Aradas suspeita de abuso de poder em Aveiro

Ilegalidades cometidas por Catarina Barreto remetem ao mandato de 2017 a 2021.

26 de março de 2024 às 15:21

A presidente da Junta de Aradas, em Aveiro, foi constituída arguida num processo em que se investiga os crimes de abuso de poder, violação de normas de execução orçamental, peculato, corrupção e participação económica em negócio.

Além de Catarina Barreto, que foi eleita pela coligação Aliança com Aveiro (PSD/CDS/PPM), o processo tem mais cinco arguidos, incluindo três membros do atual executivo (dois vogais e o tesoureiro), a secretária da Junta à data dos factos e um funcionário.

O processo, consultado esta terça-feira pela Lusa, inclui vários elementos de prova recolhidos pela Polícia Judiciária (PJ) durante as buscas à junta, em janeiro de 2023, relacionados com alegados factos criminosos ocorridos durante o mandato de 2017 a 2021.

Uma das situações tem a ver com o uso indevido de dinheiros públicos para pagar a um fotógrafo profissional que terá sido contratado para cobrir a cerimónia de apresentação da recandidatura de Catarina Barreto à presidência da junta, nas eleições autárquicas em 2021.

Entre as contas pagas pela junta consta uma fatura de um fotógrafo profissional, datada de 20 de setembro de 2021, para a prestação de "serviço de fotografia - apresentação candidatura", no valor de 250 euros.

Para além do registo fotográfico da sessão de apresentação da candidatura, o trabalho incluiu a montagem de um cenário e uma sessão de fotografia com cada um dos membros da lista da Aliança com Aveiro (PSD/CDS/PPM), para serem utilizadas em material de campanha.

Durante o interrogatório na PJ, a autarca negou que o fotógrafo em causa tenha sido contratado para realizar o referido evento, alegando que a fatura de 250 euros emitida pelo mesmo corresponde à elaboração de cinco quadros que encomendou para uma homenagem.

Esta versão foi negada pelo fotógrafo também nas declarações à Judiciária.

Sobre a presidente da Junta recaem ainda suspeitas de pagamentos indevidos de almoços e jantares com dinheiro público, em homenagens, inaugurações, museus e outras despesas sem ligação às suas públicas incumbências.

A autarca terá ainda canalizado dinheiros públicos para uma rádio local alegadamente a troco de um espaço de opinião/análise política local e nacional.

A Lusa tentou contactar a presidente da Junta de Aradas, mas até ao momento não foi possível.

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