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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Presidente do TC diz que teve agendada reunião com Montenegro mas depois foi desmarcada

Episódio foi contado pelo presidente do TC durante uma audição na Comissão de Orçamento e Finanças.

13 de novembro de 2025 às 19:26

O presidente do Tribunal Constitucional (TC) afirmou esta quinta-feira que chegou a ter uma reunião agendada com o primeiro-ministro, mas foi desmarcada por Luís Montenegro quatro dias da data acertada e depois não foi remarcada.

Este episódio foi contado pelo presidente do TC, o juiz conselheiro João José Abrantes, durante uma audição na Comissão de Orçamento e Finanças, sobre a proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2026.

Antes, perante os deputados, o presidente do TC já tinha contado um outro episódio relativo às suas relações institucionais com o primeiro-ministro. Disse que lhe tinha escrito em agosto passado a alertá-lo para a necessidade absoluta de um reforço da dotação orçamental, mas Luís Montenegro só respondeu na segunda-feira e sem dar garantias.

Mais à frente, durante a mesma audição, João José Abrantes referiu que o teor constante nessa carta de 25 de agosto dirigida ao primeiro-ministro "já vinha na sequência de outras questões que permanentemente lhe tinham sido colocadas e que nunca tiveram resposta".

"Só cheguei a ter uma reunião marcada com o senhor primeiro-ministro no dia 16 de dezembro de 2024, que foi desmarcada pelo senhor primeiro-ministro por contacto telefónico no dia 12, na quinta-feira anterior, dizendo que depois voltaria a contactar daí uns dias. Não houve esse contacto", contou o presidente do TC.

A seguir, rematou: "Não quero nem devo comentar as atitudes de outros titulares de órgãos de soberania".

Em relação à carta que escreveu ao líder do executivo PSD/CDS, em 25 de agosto passado, o presidente do TC referiu que expressou a sua preocupação quanto à falta de resolução relativamente a vários assuntos que, na sua perspetiva, "assumem relevante interesse para o cabal funcionamento do tribunal".

"Uma preocupação agravada pela ausência de resposta, não obstante as sucessivas diligências e tentativas feitas e que resultaram infrutíferas", acentuou o presidente do TC.

Ainda de acordo com o presidente do TC, nessa carta, o primeiro-ministro foi avisado para o seguinte: "Caso a proposta de lei do orçamento para 2026 não viesse a considerar os necessários ajustamentos, o tribunal se veria na contingência de recorrer à Assembleia da República, no quadro das suas competências em termos orçamentais".

"Devo dizer que, na passada segunda-feira, ao princípio da noite, mais concretamente às 18h13 horas, três dias após o anúncio desta audição, recebi por mail uma carta do primeiro-ministro que, no essencial, não desfez as nossas preocupações", acrescentou o juiz conselheiro.

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