Em causa está o plano ciclável municipal de Lisboa.
O PS/Lisboa acusou o presidente da Câmara, Carlos Moedas (PSD), de "esconder" uma auditoria que fez à rede ciclável da capital e que esteve na base de um plano apresentado esta quinta-feira pela autarquia.
"Nove meses depois de conhecer os resultados da auditoria à rede ciclável da cidade, e de ter recusado várias vezes distribuir o estudo pelos vereadores, o vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa apresentou alguma dessa informação de forma avulsa e descontextualizada numa conferência de imprensa hoje realizada", critica a vereação PS, numa nota enviada à agência Lusa.
Em causa está o plano ciclável municipal de Lisboa, apresentado esta manhã pela vice-presidente, Filipe Anacoreta Correia, e que teve por base uma auditoria à rede da cidade realizada pela empresa Copenhagenize, cujo relatório intercalar tinha sido já divulgado em outubro.
"É a primeira vez que a Câmara Municipal de Lisboa não divulga um relatório técnico, mas sim a súmula da análise efetuada e revista pelos serviços, numa atitude de secretismo e opacidade que recua várias décadas na política de transparência e prestação de contas que se exige a um organismo público", acusam os socialistas, que já solicitaram o acesso à auditoria, em abril, à Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos (CADA).
De acordo com o plano apresentado, no final de 2025 Lisboa passará de uma rede ciclável com os atuais 173 quilómetros para um total de 263, estando prevista a construção de mais 56 ciclovias de ligação, com o objetivo de "melhorar e ligar melhor a infraestrutura já construída na cidade".
Também as estações de bicicletas Gira, que atualmente são 150, serão 190 no final de 2025, com 1.900 bicicletas, das quais 1.800 elétricas, e chegarão às 24 freguesias.
No plano estão ainda incluídos dois milhões de euros para ligar escolas à rede ciclável, além dos 400 mil euros que a autarquia recebeu como apoio financeiro do Programa BICI Bloomberg para fazer a ligação de ciclovias a 20 escolas, com uma abrangência de 20 mil alunos.
No total, estima-se investir cerca de 13 milhões de euros na concretização deste plano.
Para o PS, o plano de expansão da rede ciclável revela "falta de ambição" e uma visão antiquada: "Nenhuma das sugestões do que se conhece da auditoria é seguida e, com quase metade dos quilómetros anunciados a terem lugar em Monsanto, é o regresso a um modelo em que a rede ciclável não é vista como um elemento de mobilidade, mas de lazer."
O partido assinala o "retrocesso em matéria de segurança" e critica a liderança do executivo por desistir de vários projetos.
"Os vereadores do PS não podem deixar de apontar o erro crasso que é a desistência da construção de ciclovias em importantes zonas de ligação, como é o caso da Avenida de Roma, que permitiria a ligação ininterrupta do Lumiar à baixa da cidade, ou a Avenida da Igreja e Gago Coutinho", apontam.
Também o Livre/Lisboa criticou o plano da rede ciclável da capital, considerando que "é claramente insuficiente para atingir as metas e objetivos ambientais".
O partido, que tem um eleito no executivo, questiona várias opções, referindo, por exemplo, que "os maiores troços propostos e acrescentados ao plano, desde outubro, correspondem a ciclovias ou trilhos que já existem em Monsanto, em locais onde não passam carros, e por isso não são urgentes para aumentar a segurança da rede existente".
Nesse sentido, o Livre questiona a realização da auditoria, por entender que não se responde aos problemas identificados. "Perderam-se quase três anos parando, adiando ou cancelando as obras programadas em matéria de ciclovias, à espera desta auditoria", critica.
Segundo dados divulgados da auditoria, a Avenida Almirante Reis, a Avenida 24 de julho e a Rua Prof. Pinto Peixoto (no Beato) são as vias com mais problemas de segurança.
A análise detetou falhas graves na rede ciclável da cidade, nomeadamente 30 cruzamentos com problemas, muitas descontinuidades nas ciclovias e falhas na ligação a 121 escolas e cinco universidades.
Um inquérito a utilizadores revelou que dois terços se sentem inseguros ou muito inseguros em cruzamentos, a maioria vê a rede de Lisboa como descontínua e a maior parte considera insuficiente a proteção contra o tráfego motorizado, e que ainda há muitos locais inacessíveis de bicicleta, nomeadamente sem estações Gira.
De uma forma geral, existe um bom desempenho da rede na ligação ao metro e aos comboios, mas com oportunidades de melhoria, revelou a auditoria.
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