Vice-presidente da bancada do PS, António Mendonça Mendes, diz que o Executivo "não está a responder" ao aumento de custo de vida e dos combustíveis.
O PS considerou esta quinta-feira que o Governo "não tem razões para estar satisfeito" com o excedente orçamental de 0,7% porque "não está a responder" ao aumento de custo de vida e dos combustíveis e aconselhou "menos propaganda".
Em declarações aos jornalistas, o vice-presidente da bancada do PS António Mendonça Mendes considerou ainda que os resultados anunciados esta quinta-feira "desmentem totalmente o Governo".
"É um resultado assente num saldo de segurança social que estava escondido, assente num aumento da carga fiscal e assente numa diminuição do investimento público", criticou.
Para Mendonça Mendes, o ministro das Finanças "não tem nenhuma razão para estar satisfeito com o resultado orçamental, quando as famílias portuguesas, quando vão à bomba de gasolina, pagam muito pelo combustível e ao contrário do Governo espanhol, que baixou os impostos sobre os combustíveis, o Governo aqui fez apenas uma medida de faz de conta".
"O Partido Socialista aconselha ao Governo a responder às necessidades dos portugueses quando vão às bombas de gasolina e estão a pagar mais, quando vão ao supermercado e estão a pagar mais. O Governo tem que fazer menos propaganda e governar, falar menos e responder mais", disse.
Mendonça Mendes retomou uma discussão do último Orçamento do Estado, sobre o saldo da Segurança Social, dizendo que os números hoje revelados dão razão ao PS.
"Afinal, o saldo da Segurança Social estava escondido e há mais de 1.000 milhões de euros, tal como o secretário-geral do PS disse na discussão do Orçamento de Estado e o Governo repetidamente negou", afirmou.
Por outro lado, apontou o aumento da carga fiscal também hoje conhecida "ao contrário das promessas do Governo".
"Em terceiro lugar, aquilo que assistimos é que o Governo trocou a execução do Plano de Recuperação e Resiliência pelo saldo orçamental, ou seja, temos menos construção de creches, menos construção de escolas, menos construção de centros de saúde, menos construção de estradas a favor de um saldo orçamental", criticou.
O deputado socialista apontou ainda que o crescimento económico "não está baseado nas exportações, como ao longo do último período de governação, mas sim no consumo interno, que decorre de um mercado de trabalho muito mais robusto".
"É esse mercado de trabalho que justifica mais receita fiscal e mais receita contributiva. É, aliás, um paradoxo que com o mercado de trabalho nestas circunstâncias que o Governo tenha como prioridade da sua agenda política a reforma laboral", questionou.
O PS desafiou o Governo a "pagar às famílias e às empresas os apoios que prometeu e que não chegaram" na sequência das tempestades de janeiro e fevereiro e a aumentar os apoios na resposta às consequências da guerra no Irão.
"O Governo tem a obrigação de ajudar as famílias quando vão às bombas de combustíveis. E nos alimentos tem a obrigação de responder ao aumento do custo de vida e não de dizer, como ontem aqui na Assembleia da República, que se a courgette está mais cara então comprem arroz carolino. Isso é um pouco como dizia a Maria Antonieta que, se não há pão, comam brioche", criticou.
Portugal fechou 2025 com um excedente orçamental de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB), acima da estimativa de 0,3% do Governo, segundo os dados divulgados esta quinta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
"O saldo do setor das Administrações Públicas (AP) manteve-se positivo, fixando-se em 0,7% do PIB no ano terminado no 4.º trimestre de 2025 (0,6% no final de 2024), mais 0,5 p.p. (pontos percentuais) do que o observado no trimestre anterior", indicou o INE.
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