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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

PCP diz que excedente orçamental acima do previsto "não aquece nem arrefece"

Dados do INE revelam que Portugal fechou 2025 com um excedente orçamental de 0,7% do PIB, acima da estimativa de 0,3% do Governo.

26 de março de 2026 às 12:36

O secretário-geral do PCP considerou esta quinta-feira que o excedente orçamental acima do previsto não vai "nem aquecer, nem arrefecer a vida" de quem trabalha e que se deve "à falta de investimento no que faz falta".

"Quem está com os salários até 1000 euros, quem está numa situação de precariedade (...), quem está a enfrentar neste momento um aumento brutal do custo de vida, que hoje é nos combustíveis e já se começa a sentir no gás, nos alimentos e por aí fora, diria que essa notícia não lhe vai nem aquecer, nem arrefecer a vida", afirmou Paulo Raimundo, à margem de uma visita à Qualifica 2026, em Matosinhos, no distrito do Porto.

Segundo dados revelados esta manhã pelo Instituto Nacional de Estática, Portugal fechou 2025 com um excedente orçamental de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB), acima da estimativa de 0,3% do Governo.

"É verdade. E temos de juntar a esses números outros números. Temos de juntar o número de pessoas sem médicos de família, temos de juntar o número de pessoas com consultas por realizar, temos de somar a isso as pessoas que viram as suas urgências de obstetrícia encerradas, os bebés que nasceram nas ambulâncias, a falta de resposta na habitação, o número de alunos sem professores ainda nesta altura do campeonato", defendeu.

E continuou: "Temos de juntar a isso as dificuldades da vida e o desmantelamento dos serviços públicos. Portanto, há várias razões para esse excedente ter aumentado", apontou.

Questionado sobre quais, Paulo Raimundo apontou a "falta de investimento no que faz falta e que não foi feito pelo Governo", salientando a área da Saúde, Educação e Habitação.

Para o líder comunista, era "onde faz falta" que aquele excedente tinha que ser aplicado: "Não deve ser para afunilar numa dívida que se Portugal não aumentar a sua produção nunca é pagável e muito menos para a loucura do militarismo e da guerra", salientou.

Segundo o INE, "o saldo do setor das Administrações Públicas (AP) manteve-se positivo, fixando-se em 0,7% do PIB no ano terminado no 4.º trimestre de 2025 (0,6% no final de 2024), mais 0,5 p.p. (pontos percentuais) do que o observado no trimestre anterior", indicou o INE.

Este saldo corresponde a 2.058,6 milhões de euros, segundo os resultados provisórios.

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