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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

PS em guerra

A corrida à Presidência da República está a criar claras divisões entre os socialistas, com os apoiantes da candidatura de Manuel Alegre a serem ‘convidados’ a retirarem-se das reuniões da Comissão Política do PS. Indignado, Manuel Alegre garante: “Não preciso do PS para nada. Tenho o apoio de muitos socialistas e, se calhar, é isso que está a deixar tão nervosos alguns dirigentes do partido.”

20 de outubro de 2005 às 00:00

A ‘guerra’ teve início na reunião da Comissão Política do partido de anteontem à noite, onde Capoulas Santos considerou “inadmissível do ponto de vista ético” que elementos que não apoiam Mário Soares assistam às reuniões para a estratégia de definição desta candidatura presidencial.

Helena Roseta, apoiante de Manuel Alegre, acabaria mesmo por abandonar a reunião durante a intervenção de José Lello. Na altura o deputado alertava para o facto de os apoiantes de Manuel Alegre poderem “parasitar as estruturas do partido como as suas sedes” para desenvolverem acções de campanha contra Mário Soares.

No final da reunião, o porta-voz do PS, Jorge Coelho, anunciou que os apoiantes de Manuel Alegre estavam proibidos de utilizar instalações ou meios do PS para acções de campanha. “Devem respeitar aquilo que é a decisão dos órgãos do partido e fazer com que meios ou instalações do PS só possam ser usadas para apoiar a candidatura que o PS decidiu nos órgãos próprios apoiar [Mário Soares]”, rematou Jorge Coelho.

Perante tais declarações, a candidatura de Manuel Alegre lamentou ontem, em comunicado, a “tentativa de aprisionamento do PS” à candidatura de Mário Soares e acusou o partido de subverter “a sua própria cultura de liberdade”. Mais: “A candidatura de Manuel Alegre não abandona, apesar das vicissitudes, a sua natureza cívica , directamente ligada aos cidadãos, sem qualquer vocação para se submeter aos partidos políticos (...).”

Questionado se continuará a ir às reuniões da Comissão Política do PS, Manuel Alegre foi directo: “Vou às reuniões do PS se me apetecer. Não há lei nenhuma que me impeça.” Quanto aos seus apoiantes, segundo afirmou ao CM o porta-voz da candidatura do poeta, João Correia, a sua presença ou não nas reuniões irá “depender da consciência de cada um”.

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