Segundo Eurico Brilhante Dias, "não há convites feitos" pelo PS.
O PS disse esta sexta-feira que falará primeiro com o PSD sobre o novo nome para Provedor de Justiça, compreendendo a decisão de Tiago Antunes de sair da corrida após ter sido alvo de uma "campanha da direita mais radical".
Em declarações à agência Lusa, o líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, disse respeitar a decisão de Tiago Antunes de não se voltar a apresentar a eleições para o cargo de Provedor de Justiça depois de ter sido chumbado e compreender os seus argumentos do ponto de vista político, lembrando que era um nome com acordo do PSD.
"O professor Tiago Antunes foi alvo de uma campanha da direita mais radical, pressão que mais de metade da bancada do PSD não foi capaz de suportar, não cumprindo a indicação de voto do líder parlamentar", lamentou.
Segundo Eurico Brilhante Dias, "não há convites feitos" pelo PS.
"Em primeira instância falaremos com o grupo parlamentar do PSD", disse, esperando que esta eleição se possa fazer "durante o mês de maio".
O líder parlamentar do PS referiu que quando o partido pensou nas eleições para todos os órgãos externos tinha um conjunto de pessoas que consideravam idóneas.
"O professor Tiago Antunes tinha o perfil que achávamos o correto, mas temos um conjunto de outros nomes identificadas com perfil e entre os quais vamos agora escolher", apontou.
O antigo secretário de Estado socialista Tiago Antunes lamentou esta sexta-feira ter sido vítima de cancelamento, com o chumbo do parlamento do seu nome para provedor de Justiça, e colocou-se de fora da corrida.
Em artigo de opinião publicado no semanário Expresso, Tiago Antunes desejou, "sinceramente, que muitas pessoas qualificadas continuem a disponibilizarem-se para servir a causa pública".
"Cada vez tenho mais dúvidas, porém. Os deputados desrespeitam acordos, brincam com o bom-nome das pessoas e alimentam campanhas persecutórias absolutamente infundadas e ridículas. Assim, não contem comigo", lê-se.
Há cerca de uma semana, a eleição do professor universitário e ex-governante para o cargo de provedor de Justiça ficou aquém dos votos necessários, tendo apenas 104 votos favoráveis num total de 230 deputados.
Fonte parlamentar disse na altura à agência Lusa que o candidato indicado pelo PS após acordo com o PSD, teve 86 brancos e 36 nulos no sufrágio por voto secreto, quando teria de alcançar 154 votos a favor para atingir a maioria qualificada.
Tiago Antunes candidatou-se a um cargo que está por preencher desde o início da presente legislatura, quando Maria Lúcia Amaral o deixou para desempenhar as funções de ministra da Administração Interna.
No sábado, o secretário-geral do PS indicou que o seu partido estava em diálogo com Tiago Antunes para avaliar uma nova candidatura a Provedor de Justiça, elogiando uma "personalidade de grande integridade" e "sem qualquer pendor partidário".
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