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PSD sabe que PS e Chega têm diferenças mas são parecidos no discurso contra o Governo, sustenta Sebastião Bugalho

Bugalho admitiu que "os fantasmas" de temas como a segurança social ou a revisão constitucional até "vendem mais, motivam mais debates".

28 de agosto de 2026 às 17:00

O porta-voz do PSD assegurou esta sexta-feira que o partido sabe que PS e Chega têm diferenças, mas insistiu que são parecidos no discurso contra o Governo, acusando os socialistas de "agitarem fantasmas" por "não terem nada para dizer".

O também vice-presidente do PSD e eurodeputado Sebastião Bugalho participou esta sexta-feira num painel sobre habitação, acompanhado pelo presidente da Câmara de Lisboa e também 'vice' social-democrata, Carlos Moedas, na Universidade de Verão do PSD, iniciativa de formação política de jovens, que decorre até domingo em Castelo de Vide (Portalegre).

Na sua intervenção, Bugalho voltou ao tema que marcou o discurso de abertura da iniciativa, quando o secretário-geral do PSD Hugo Soares acusou os líderes do PS e do Chega de estarem "cada vez mais parecidos" na "impreparação para serem alternativas" ao atual Governo da AD.

"Eu não venho aqui fazer a defesa da honra do Hugo Soares, ele não precisa. Nós sabemos, nós somos um partido fundador da democracia, que o PS e o Chega têm diferenças, claro que têm", começou por dizer.

O dirigente social-democrata apontou os socialistas como "um partido fundador da democracia, um partido com histórico constitucional em que participou nas revisões constitucionais ao lado do PSD".

"Eu também não gosto quando o PS diz que o PSD é igual ao Chega, portanto não vou estar a dizer que o PS é a mesma coisa que o Chega, não é, mas que têm similitudes no seu discurso, às vezes têm", realçou.

Para Bugalho, apesar de serem diferentes nos valores e na agenda programática, os líderes do PS e do Chega têm tido "necessidade de incluir mentiras, de incluir distopia e de incluir narrativas que não vão encontro aos factos e realidade no discurso político".

"Aí têm sido muito parecidos", criticou, centrando depois as suas críticas no secretário-geral socialista.

O porta-voz do PSD voltou a acusar José Luís Carneiro de ter mentido nas críticas que fez ao Governo sobre habitação, mas também de "agitar fantasmas" em temas como a Segurança Social e a revisão constitucional.

"Alguém, digam uma voz do PSD que tenha dito 'vamos fazer uma revisão constitucional só com o Chega', alguém defendeu isso?", questionou.

Sebastião Bugalho disse ter uma teoria: "Eu sei porque é que eles criam estes fantasmas à volta da habitação, estes fantasmas à volta da Segurança Social, estes fantasmas à volta das alianças com a extrema-direita, é porque eles não têm nada para dizer", criticou.

O dirigente deu como exemplo medidas apresentadas pelo presidente do PSD e primeiro-ministro, Luís Montenegro, na Festa do Pontal, como o alargamento do passe ferroviário verde aos comboios urbanos das Áreas Metropolitanas e a compra de uma participação pública na rede elétrica nacional.

"O PS consegue dizer que é contra alguma destas propostas? Não, eles não conseguem dizer que são contra porque não são", considerou.

Bugalho admitiu que "os fantasmas" de temas como a segurança social ou a revisão constitucional até "vendem mais, motivam mais debates".

"Mas não troquemos os fantasmas pela realidade. Eles que fiquem com os fantasmas, nós ficamos com a realidade", apelou.

Na sua intervenção inicial, o porta-voz do PSD assegurou que o Governo está "orgulhoso, mas não deslumbrado" com os números em áreas como o crescimento ou o desemprego.

"Nós não somos um partido estatístico, nem seremos um partido que vive do triunfalismo dos números. Os números para nós só têm valor se significarem uma vida boa para os portugueses", considerou.

Bugalho acusou ainda a oposição de se contradizer, quando diz que o Governo tem ajudado pouco os portugueses a lidar com o aumento dos combustíveis, quando tal representou ate 31 de julho um custo de 300 milhões de euros.

"A mesma oposição diz que 300 milhões de euros é muito dinheiro para deixarmos de ser o único Estado membro da União Europeia que não tem uma participação pública na Rede Elétrica Nacional, criticou.

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