Paulo Raimundo reagiu ainda às palavras do primeiro-ministro, Luís Montenegro, que pediu aos manifestantes que não fossem egoístas.
O secretário-geral do PCP recusou esta quinta-feira comentar as acusações da IL de que os comunistas estão a instigar protestos, mas afirmou que o partido apoia todas as lutas pela habitação, e chamou "verdadeiro egoísta" ao primeiro-ministro.
Questionado pelos jornalistas, à margem de uma sessão pública do PCP na Amadora, Lisboa, sobre as declarações da líder da IL, Mariana Leitão, que acusou comunistas e bloquistas de instigar a escalada de manifestações no Porto, Paulo Raimundo disse não conhecer as declarações e não querer comentá-las.
"Eu não conheço as declarações em concreto, mas também não me admira. E eu, como não quero ocupar o pouco tempo que tenho do ponto de vista da antena a alimentar a Iniciativa Liberal, recuso-me a fazer qualquer comentário a isso", disse.
Porém, inquirido sobre se o PCP se associa aos movimentos que se têm manifestado no Porto pela habitação, designadamente as acampadas, Paulo Raimundo afirmou que o partido apoia "todas as ações de expressão de indignação e de exigência" de soluções para o problema da habitação, que considerou "central".
Paulo Raimundo reagiu ainda às palavras do primeiro-ministro, Luís Montenegro, que pediu aos manifestantes que não fossem egoístas, devolvendo a acusação ao líder do Governo.
"O senhor primeiro-ministro é que é um verdadeiro egoísta. Não só egoísta, como se coloca ao serviço dos egoístas, dos fundos imobiliários, da banca, dos especuladores", atirou, acrescentando que "toda a sua política", como também do Chega e da IL, "estão ao serviço dos egoístas", e que "para egoísta, egoísta e meio".
Questionado também sobre as palavras do Presidente da República, António José Seguro, de que o pior que pode acontecer a uma causa, mesmo sendo justa, é violar a lei, Raimundo considerou que foi feita pelo chefe de Estado "uma afirmação de princípio", não interpretando as suas palavras como uma imputação de culpa aos manifestantes pela intervenção policial.
O líder do PCP voltou ainda às críticas ao PS pela abstenção anunciada no Orçamento do Estado (OE) para 2027, acusando os socialistas de falarem do risco de eleições antecipadas como uma "desculpa" para viabilizar o documento.
"O PS encontrou uma boa desculpa para, não querendo a instabilidade governativa, manter a instabilidade na vida das pessoas", disse.
Paulo Raimundo lembrou ainda que António José Seguro já tinha dito que a rejeição de uma proposta orçamental não resultaria necessariamente em novas eleições e sublinhou que num cenário em que o OE fosse chumbado o Governo deveria apresentar uma nova proposta e, se esta também não fosse aprovada, poderia governar em duodécimos.
Sobre a privatização parcial da TAP, Raimundo adiantou que os comunistas procurarão, através de iniciativas parlamentares, "procurar travar" a privatização da companhia aérea.
No discurso que encerrou a sessão pública organizada pelos comunistas, o líder do PCP classificou esta decisão como "antipatriótica" e um "crime económico" da responsabilidade de PSD, CDS-PP, Chega, IL e PS.
Encerrou a intervenção apelando à participação nas manifestações convocadas pela CGTP para sábado, dia 17, em Lisboa, Porto e Coimbra, contra o aumento do custo de vida.
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