Jean Barroca afirmou que se trata de "um investimento também muito considerável" e que "potencialmente também poderia ter um impacto tarifário significativo", pelo que a decisão terá de ser tomada "de forma consciente".
O secretário de Estado da Energia disse esta terça-feira no parlamento que o reforço da capacidade de armazenamento de gás em Portugal acrescentaria "uma semana à reserva estratégica do país", mas terá de ser avaliado pelo impacto tarifário.
Na comissão parlamentar de Ambiente e Energia, em audições pedidas pelo PS e PSD, Jean Barroca afirmou que se trata de "um investimento também muito considerável" e que "potencialmente também poderia ter um impacto tarifário significativo", pelo que a decisão terá de ser tomada "de forma consciente".
Em causa está a expansão da capacidade de armazenamento subterrâneo de gás em Portugal, no Carriço, no concelho de Pombal, anunciada em 2022, pelo então secretário de Estado da Energia João Galamba, no contexto da crise energética desencadeada pela guerra na Ucrânia.
O projeto, que ainda não saiu do papel, prevê a construção de duas novas cavernas subterrâneas, com capacidade adicional superior a 1,2 terawatts-hora (TWh) e um investimento estimado em cerca de 90 milhões de euros, segundo o Plano de Desenvolvimento e Investimento da Rede de Gás (PDIRG) 2026-2035.
O plano prevê uma entrada em operação faseada entre 2027 e 2028, embora a concretização dependa da decisão final de investimento, licenciamento e objetivos definidos pelo concedente, ou seja, o Estado, como tinha explicado fonte oficial da REN à Lusa no mês passado.
Segundo Jean Barroca, Portugal está entre os países europeus com maior percentagem de reservas de gás, mas dispõe atualmente de cerca de 30 dias de armazenamento face ao consumo médio anual.
"Importa ainda salientar que um dos investimentos complementares que estava previsto [no PDIRG] é justamente o armazenamento subterrâneo do Carriço", disse o secretário de Estado, acrescentando que esse investimento "adicionaria uma semana à reserva estratégica do país", mas terá de ser ponderado por se tratar de um projeto "muito considerável" e com potencial "impacto tarifário significativo".
"Na situação que vivemos hoje", a decisão deve ser tomada de forma consciente, acrescentou o governante.
A referência surge num contexto de crise energética marcado pelo conflito no Médio Oriente e pelas restrições ao tráfego no estreito de Ormuz, uma rota central para o petróleo e o gás natural liquefeito.
Na audição, enquadrou este dossiê numa linha mais ampla de "muita prudência e muito faseamento" nos investimentos energéticos, sublinhando que estes são pagos através das tarifas e devem ser avaliados em função da competitividade da energia para famílias e empresas.
O secretário de Estado reiterou ainda que o gás mantém um "duplo papel" no sistema energético nacional: continua a ser necessário em setores industriais difíceis de descarbonizar e assegura hoje parte da estabilidade do sistema elétrico, embora o objetivo do Governo seja substituir gradualmente essa função por soluções de armazenamento.
Jean Barroca disse ainda que o biometano é um dos vetores "muito importantes" para a descarbonização do setor do gás, embora tenha sublinhado a necessidade de garantir modelos sustentáveis de investimento e de limitar o impacto nas tarifas.
Já sobre o hidrogénio, afirmou que é uma tecnologia "com maior complexidade do que era esperado", "mais cara do que era esperado" e cujo grau de maturidade "ainda não está lá", defendendo por isso "muita prudência e muito faseamento" nas decisões de investimento.
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