Às urnas da concelhia de Espinho compareceram 269 dos 304 militantes inscritos nos cadernos eleitorais dessa estrutura.
O jurista Ricardo Sousa, que o PSD nacional afastou da corrida eleitoral às últimas autárquicas devido ao que o próprio apontou como "um ajuste de contas pessoal" de Luís Montenegro, ganhou este sábado as eleições na concelhia de Espinho.
Nessa autarquia do distrito de Aveiro e Área Metropolitana do Porto, a vitória que reconduz Ricardo Sousa para o seu segundo mandato como líder local do partido foi obtida com 133 votos a favor face aos 131 de Carolina Marques, que, aos 28 anos e com assento na Assembleia da República desde 2024, era apontada como a favorita de Montenegro.
Para Ricardo Sousa, esses resultados constituem assim uma "relegitimação" do seu trabalho e uma oportunidade para devolver união à concelhia de Espinho.
"O mandato que tive foi muito exigente pelos motivos que foram públicos e suscitaram uma discussão muito grande na concelhia", declara o vencedor à Lusa. "A minha recandidatura à presidência foi, por isso, uma oportunidade para os militantes se pronunciarem sobre estes dois anos, com o resultado deste sábado a demonstrar que eles decidiram confiar em mim outra vez e voltar a legitimar-me, o que obriga a que todos me respeitem no mandato que temos pela frente", realça.
Reconduzindo também Paulo Leite como presidente da Mesa da Assembleia-geral, graças a um único voto de diferença em relação à lista concorrente, Ricardo Sousa propõe-se agora trabalhar para reafirmar o PSD no concelho: "É importante unir a seção e trabalhar com os autarcas eleitos. Como voltámos a liderar o executivo municipal, esta comissão política vai-se pôr ao serviço do concelho, com os autarcas sociais-democratas".
As dificuldades que Ricardo Sousa atribui ao mandato de 2024 a 2026 prendem-se sobretudo com a fase da pré-campanha eleitoral para as autárquicas de 2025, já que o jurista começou por ser a escolha unânime dos militantes locais para cabeça-de-lista à Câmara Municipal de Espinho -- cujos anteriores chefes do executivo, um do PSD e outro do PS, estão a ser julgados por alegada corrupção em negócios imobiliários, no âmbito do caso Vórtex -- mas viu depois o seu processo avocado pelo PSD nacional, que nunca explicou essa opção.
Ricardo Sousa atribuiu a situação a um "ajuste de contas pessoal" por parte de Montenegro -- que concorreu ele próprio duas vezes à Câmara de Espinho, sem sucesso -- e, apoiado por 110 militantes, tentou junto da jurisdição nacional do PSD impugnar a escolha do seu substituto -- Jorge Ratola, que é o atual presidente da autarquia.
Como a sua pretensão foi negada, recorreu então ao Tribunal Constitucional, mas esse também rejeitou o pedido. Segundo fonte da sua equipa, esse órgão judicial optou pelo indeferimento porque, "apesar de ter reconhecido que o processo não foi o mais correto, já não ia a tempo de o retificar" antes das eleições.
Às urnas da concelhia de Espinho compareceram 269 dos 304 militantes inscritos nos cadernos eleitorais dessa estrutura. Luís Montenegro foi um dos militantes que comparecem no local para aí deixar o seu voto.
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