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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Rui Pereira na mira da oposição

O ministro da Administração Interna vai continuar sob fogo da oposição. Rui Pereira recusou demitir-se, mas o PSD não desiste e vai reabrir os trabalhos parlamentares com um debate sobre o clima de insegurança que se vive no País. Também o CDS-PP, que fez da segurança uma das suas bandeiras, exigiu a presença do governante na Assembleia da República para prestar esclarecimentos sobre o aumento da criminalidade.<br/><br/>

24 de agosto de 2008 às 00:30

Depois da comissão permanente do PSD ter exigido anteontem a demissão de Rui Pereira, Manuela Ferreira Leite criticou ontem, num artigo de opinião no ‘Expresso’, o 'inexplicável' e o 'inaceitável' silêncio de José Sócrates perante 'um alarmante aumento da criminalidade'. A presidente social-democrata deixou, aliás, um recado ao primeiro-ministro: 'É patente que o problema não é da competência das forças policiais, mas o de não terem mãos a medir.'

Em reacção, o ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, considerou que o 'silêncio alarmante', título do artigo de Ferreira Leite, assenta que nem uma luva na própria. 'Encerra uma ironia singular porque se aplica que nem uma luva à sua própria atitude desde que foi eleita presidente do PSD. Se há palavra que caracteriza o comportamento da doutora Ferreira Leite é um silêncio alarmante, porque do principal partido da oposição não se tem recebido quaisquer sugestões, propostas ou críticas construtivas', disse à TSF.

Mas o assunto não vai ficar encerrado aqui e irá marcar a reabertura dos trabalhos parlamentares. Além do PSD, também o CDS quer a presença de Rui Pereira na Assembleia da República para explicar a onda de crimes violentos que assola o País.

'Não acordámos há uma semana para este assunto', afirmou ao CM o líder parlamentar do CDS, Diogo Feyo, num farpa dirigida ao PSD. 'O CDS já criou as condições para que haja um debate sobre segurança no Parlamento', atirou.

A política de Governo sobre segurança tem sido alvo de críticas do CDS, que defende a necessidade de 'mais efectivos em Lisboa, Porto e Setúbal, onde se verifica grande parte desses fenómenos perigosos'. 'Nós lamentamos que se tenha chegado a esta situação. Na altura, chamámos a atenção para o assunto e os partidos do Bloco Central chamaram-nos demagógicos', afirmou o parlamentar.

Diogo Feyo lembrou que o CDS já apresentou 'medidas relevantes sobre segurança', nomeadamente um projecto de resolução que propunha soluções para o carjacking, mas que foi chumbado pelos restantes partidos. Porém, o democrata-cristão revelou ao CM que o CDS 'está a preparar propostas concretas sobre segurança para apresentar no Parlamento'.

PORMENORES

SINTRA E ODIVELAS

O CDS-PP revelou no Parlamento que em Sintra existe um polícia por cada 2009 habitantes. Já em Odivelas, para cada 1229 habitantes existe um agente. O número considerado ideal pelo Governo é um política por cada 217 habitantes.

LOURES E AMADORA

Em Loures, de acordo com números apresentados pelo CDS-PP, existem 199 mil habitantes e apenas 288 polícias. Na Amadora são 176 mil habitantes e 109 agentes.

 

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