Líder do PSD, reagiu esta quinta-feira à tarde ao caso de Tancos.
O presidente do PSD considerou esta quinta-feira "pouco crível" que António Costa não soubesse do encobrimento sobre Tancos, dizendo que "tudo leva a crer" que exista uma encenação do Governo para que saíssem notícias envolvendo o Presidente da República. Em declarações aos jornalistas nas Caldas da Rainha, Rio afirmou que "Costa ou sabe ou não sabe e ambas as hipóteses são muito más".
"Eu acho que é pouco crível que um ministro, seja ele qual for, não articule aspetos desta gravidade com o primeiro-ministro, ainda assim eu nunca poderei dizer mesmo se ele sabia ou não", afirmou Rui Rio, em conferência de imprensa convocada pelo PSD a meio da tarde para um hotel nas Caldas da Rainha (Leiria), onde em seguida participará numa iniciativa de campanha eleitoral.
Ainda assim, Rio considera igualmente grave "a hipótese" de António Costa não saber, já que tal indicaria que havia ministros que não informam o primeiro-ministro de tudo aquilo que "de relevante e grave" se passa no respetivo Ministério.
"O que se terá passado ao longo desses quatro anos dentro do Governo que o primeiro-ministro não soube e o que poderá de acontecer de importante no futuro, num Governo presidido pelo dr. António Costa, que o dr. António Costa pura e simplesmente não saiba?", interrogou.
Questionado se as recentes notícias que envolveram o nome do Presidente da República no caso Tancos podem ser uma "encenação" do Governo, Rio respondeu afirmativamente.
"Tudo leva a crer que sim. Por parte do Governo, para que saíssem notícias a tentar pôr uma cortina de fumo. Dá-me ideia que é bem provável que possa ter acontecido", respondeu.
O líder do PSD alterou hoje a agenda de campanha eleitoral para analisar a acusação do caso Tancos, e considerou que se "pode não ser tudo verdade, seguramente também não é tudo mentira".
"É um assunto grave em termos de funcionamento do Estado de direito democrático: há dentro dos serviços do Estado sob tutela do Governo notórias cumplicidades para dificultar a ação da justiça, seja da Procuradoria-Geral da República, seja da Polícia Judiciária", acusou.
Rio não quis alongar-se sobre o ex-ministro Azeredo Lopes, uma vez que "já não é ministro há muito tempo", dizendo que apenas quer tirar conclusões "de ordem política".
"Aí há uma pergunta que todos nós nos temos colocado e agora ainda mais: perante um assunto desta gravidade, o ministro da Defesa não avisa o primeiro-ministro?", questionou.
O líder do PSD salientou já ser público que Azeredo Lopes terá "articulado" o assunto com Tiago Barbosa Ribeiro, presidente da comissão política concelhia do Porto do PS e deputado.
"Se articula, se informou como é o mais provável, temos aqui um problema do primeiro-ministro ele próprio ser conivente com aquilo que se passou, mas se quisermos ir para a hipótese do ministro não ter avisado o primeiro-ministro, como o este tem vindo a defender, também temos aqui um problema grave", afirmou.
Para Rio, as duas possibilidades -- se António Costa sabe ou não sabe do encobrimento -- "são muito más".
"Mesmo que não saiba, um Governo não pode funcionar assim, que autoridade e coordenação tem um primeiro-ministro sobre os seus ministros?", questionou.
Hoje à tarde, o vice-presidente do PSD David Justino -- que também marcou presença na conferência de imprensa - escreveu na rede social Twitter que "a encenação política do 'Achamento' [das armas de Tancos] e a encenação recente envolvendo o PR, revela um padrão de comportamento político indisfarçável", defendendo que tal deve ser discutido na campanha "até às últimas consequências".
"Perante esta situação e olhando àquilo que aconteceu com os professores e os motoristas, não tenho dúvidas que algumas mentes do PS devem estar a puxar pela imaginação para ver o que se pode montar aqui para desviar atenção do caso de Tancos. Se terão imaginação para isso não sei, têm muita", corroborou Rui Rio.
Sobre as notícias segundo as quais o chefe de Estado também estaria a par do encobrimento -- e que Marcelo Rebelo de Sousa já negou categoricamente -, Rio considerou que "é caso para dizer que o tiro saiu pela culatra".
O líder social-democrata criticou ainda o relacionamento entre o Governo e o grupo parlamentar do PS, depois de se saber que o deputado socialista Tiago Barbosa Ribeiro recebeu SMS de Azeredo Lopes em que o ministro admitia ter conhecimento do encobrimento do furto das armas.
"É notório que o deputado do PS, neste caso, procurou ocultar a verdade e ajudar a ocultar a verdade", afirmou, considerando que não tem condições para voltar a ser candidato ao cargo.
O Ministério Público (MP) acusou 23 pessoas, entre elas o ex-ministro da Defesa, José Azeredo Lopes, no caso do furto e da recuperação das armas de Tancos.
Azeredo Lopes está acusado de prevaricação, abuso de poder, denegação de justiça e favorecimento de funcionário, crimes que o MP classificou como "muito graves".
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.