A possibilidade do antigo primeiro-ministro, Cavaco Silva, entrar na corrida às eleições presidências de 2006 foi recebida pelo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Pedro Santana Lopes, “com grande tranquilidade”, garantiram ontem ao Correio da Manhã fontes próximas daquele dirigente social-democrata.
A notícia segundo a qual Cavaco Silva vai ser candidato às presidenciais foi ontem avançada pelo ‘Expresso’, semanário que adiantava que o antigo primeiro-ministro já tem um calendário definido. O arranque da sua candidatura – segundo o jornal – deverá começar pelo lançamento do segundo volume das suas memórias em Março do próximo ano e, num segundo passo, pelo lançamento, em Maio de 2004, de um outro livro sobre o’ cavaquismo’ da autoria do jornalistas Fernando Lima, actual director do Diário de Notícias e antigo assessor de Cavaco Silva.
É neste pano de fundo que fontes ‘santanistas’ classificaram a candidatura de Cavaco Silva como “uma óptima notícia para os cavaquistas”, mas ficam “à espera da decisão do próprio Cavaco”. Segundo disseram, a grande novidade do calendário da possível candidatura de Cavaco “não é o livro de memórias do Professor, mas um livro do director do DN que foi seu assessor durante dez anos”.
“Às vezes há mais cavaquistas que o próprio Cavaco”– comentaram as mesmas fontes, acrescentando que, no final de contas, “o País e o PSD continuam sem saber se Cavaco é ou não candidato”. “Esperemos – remataram– que não seja um novo tabu”.
Em todo o caso, garantiram que Pedro Santana Lopes encara com “grande tranquilidade” a candidatura do antigo primeiro-ministro, lembrando que – conforme tem referido várias vezes – a recandidatura à Presidência da Câmara Municipal de Lisboa é a “sua primeira opção”. Mas tal não quer dizer que recuse uma candidatura a Belém, porque “na vida política já não se deve recusar nada”.
De acordo com o citado semanário, Cavaco Silva só deverá formalizar as sua candidatura no início de 2005 e um grupo de notáveis da vida política portuguesa já foram contactados para darem apoio à candidatura, nomeadamente em termos financeiros. Calcula-se que os fundos necessários para Cavaco arrancar para Belém sejam da ordem dos 1,5 a dois milhões de euros.
DOIS CANDIDATOS DE PESO
Apesar de ainda faltarem dois anos, as eleições presidenciais estão a transformar-se na grande questão nacional, à qual os principais partidos não conseguem escapar. Por agora, o PSD é o partido que mais tem sofrido com isso, o que não é de admirar, pois dispõe já de dois candidatos potencialmente ganhadores: Cavaco Silva e Santana Lopes. Tanto um como outro despertam grandes paixões e poderão ser capazes de realizar o sonho de Sá Carneiro: uma maioria, um governo e um presidente. Mas é precisamente essa razão que está a dividir o PSD e o próprio Governo. ‘Cavaquistas’ e ‘santanistas’ degladiam-se já abertamente, esquecendo os apelos do presidente do partido, Durão Barroso, para manterem o silêncio sobre a questão presidencial uma vez que ainda faltam dois anos. Quer avance Cavaco ou Santana, uma coisa parece assente: os sociais-democratas darão o voto ao candidato que o partido apoiar.
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