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"Se tivesse um filho homossexual, não teria problema com isso": André Ventura diz que orientação sexual "não desvaloriza ninguém"

Pré-candidato presidencial do Chega mostrou-se favorável ao casamento gay, adiantando que o seu partido tem pessoas de diversas orientações sexuais.

15 de novembro de 2020 às 07:28

O pré-candidato presidencial do Chega assume que "ser homossexual não desvaloriza em nada ninguém" e mostrou-se favorável ao casamento gay, adiantando que o seu partido tem pessoas de diversas orientações sexuais, "eventualmente" até na cúpula dirigente.

Dadas as várias posições assumidas por André Ventura contra os direitos das minorias, sejam refugiados, imigrantes ou a comunidade cigana, a agência Lusa quis perceber como reagiria o líder do partido da extrema-direita portuguesa se tivesse um filho homossexual?

"(risos)... Eu, se tivesse um filho homossexual... (hesitação), pessoalmente - talvez algumas pessoas não gostem disto -, não teria nenhum problema com isso porque tenho muitos amigos homossexuais, alguns deles do mais brilhante que eu conheci na vida, que falam muito bem comigo e que percebem que nunca tive nenhuma onda de combatividade aos homossexuais ou à comunidade LGBT", respondeu.

Voltando a ressalvar que "talvez alguma parte" do eleitorado" do Chega não esteja de acordo consigo, Ventura declarou que a direita com que sonhou, "tal como em muitos pontos da Europa, é uma direita em que as pessoas se unem em torno de causas, convicções, e não de condições pessoais de cada um", pois "ser homossexual não desvaloriza em nada ninguém e não desvaloriza a capacidade de combate político".

"Estou em crer - não tenho dados sobre isso - que o Chega tem homossexuais entre os seus milhares de militantes. Entre os dirigentes, eventualmente. E quero que continue a ser assim. Se tivesse um filho homossexual eu respeitaria isso", afirmou.

Sobre "se ficaria feliz se ele [filho] casasse nos mesmos termos em que casam outras pessoas", o presidente do Chega referiu ter "uma posição", mas respeitar que a maior parte do partido tenha outra e entenda que o casamento não deva existir exatamente nos mesmos termos".

"A minha posição pessoal é a de que um casal de homens ou de mulheres não devem ter menos direitos do ponto de vista da sua presença na sociedade do que um casal homem-mulher", declarou.

O líder nacional-populista deu ainda como exemplo o aborto, tema sobre o qual também tem um posicionamento de possível "discordância com a base do partido".

"Sempre disse que, eticamente, compreendo e sou contra o aborto, mas não vou propor a sua criminalização, porque não funciona, não resolve. Compreendo que a maioria no partido ache que deva ser crime, mas choca-me enquanto jurista e político", concluiu.

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