Presidente da República declarou que as "duas dimensões são perfeitamente complementares".
O Presidente da República defendeu esta terça-feira que se deve manter "boas relações" com os Estados Unidos da América, e aprofundá-las, mas ao mesmo tempo assegurar a "autonomia estratégica" da Europa em matéria de segurança e defesa.
"Acho que as duas dimensões são perfeitamente complementares", declarou António José Seguro aos jornalistas, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, onde chegou esta terça-feira, para as comemorações do Dia de Portugal, e se reuniu com a representante da República para a Região Autónoma dos Açores, Susana Goulart Costa.
Questionado pelos jornalistas sobre qual o momento adequado para uma eventual revisão do acordo de cooperação e defesa entre Portugal e os Estados Unidos da América que regula a utilização da Base das Lajes -- que defendeu em janeiro, enquanto candidato presidencial --, o chefe de Estado e comandante supremo das Forças Armadas considerou que "não é este o momento" para falar desse assunto.
Interrogado se escolheu fazer estas comemorações na ilha Terceira também como uma forma de afirmação da soberania nacional, por causa da Base das Lajes, António José Seguro respondeu: "O Presidente da República todos os dias afirma a soberania de Portugal, em qualquer canto do nosso país".
"Fá-lo aqui nos Açores, na Ilha Terceira, como o faz em Trás-os-Montes, no Minho, no Algarve, no Alentejo, em todos os cantos do nosso país. Afirmar a nossa soberania, a defesa da nossa independência nacional, é uma das tarefas mais nobres e mais exigentes de um Presidente da República", completou.
Sobre as relações com os Estados Unidos da América, o chefe de Estado referiu que as suas posições são conhecidas: "Eu sou um defensor da manutenção da NATO como organização de defesa e de segurança, e considero que nós devemos ter boas relações com os Estados Unidos da América. Devemos aprofundar essas relações a todos os níveis, económico, comercial, de segurança".
"Devemos ter uma visão mais alargada também em relação ao Atlântico, não olhar apenas para os Estados Unidos da América, olhar também para o Canadá, olhar para o Mercosul. Nós temos uma vocação universalista e nós devemos dar expressão a essa vocação através de cooperações muito concretas", acrescentou.
António José Seguro realçou, a seguir, que é também conhecida a sua posição em defesa "da autonomia estratégica da Europa, designadamente também em matéria de segurança e defesa", e defendeu que são complementares.
O Presidente da República escusou-se, neste momento, a comentar o modo como o Governo PSD/CDS-PP tem gerido a questão da utilização da Base das Lajes pelos Estados Unidos da América no contexto da atual guerra contra o Irão.
"Não é o momento para falarmos dessas situações. Este é um momento para celebrarmos Portugal, é um momento de união do nosso país", justificou, acrescentando: "Teremos com certeza tempo e oportunidade para nos referirmos a esses aspetos".
No início da sua intervenção, António José Seguro mencionou que "poder celebrar o Dia de Portugal no meio do Atlântico" constitui "um privilégio raro que nem todos os países têm a possibilidade de fazer".
Depois, o chefe de Estado salientou que neste ano se cumprem 50 anos da consagração constitucional das autonomias regionais dos Açores e da Madeira, que "todo o país celebra".
"A unidade nacional, a união dos portugueses, é uma das minhas principais preocupações, e essa é também uma das razões pelas quais escolhi realizar o 10 de Junho, celebrar o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades aqui no arquipélago dos Açores e mais concretamente na Ilha Terceira", afirmou.
Enquanto candidato presidencial, num debate nas rádios, em janeiro, António José Seguro afirmou, sobre o acordo que regula a utilização da Base das Lajes pelos Estados Unidos da América: "É necessário que este acordo de cooperação seja revisto, não porque há algum drama em cima da mesa, mas porque há necessidade de o atualizar".
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