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No arquipélago estão licenciados que necessitam de profissionalização, mas que não têm hipótese de se deslocar.
O Sindicato dos Professores da Região Açores (SPRA) considerou esta sexta-feira que a falta de professores no arquipélago poderá ser contrariada com o reforço do papel da Universidade local e apostando em formação à distância.
"Achamos que a Universidade dos Açores tem aqui um papel determinante. A Universidade dos Açores já foi o principal centro de formação de professores aqui na região e, hoje em dia, não cumpre minimamente esse papel", afirmou o presidente do SPRA, António Lucas.
O dirigente, que falava numa conferência de imprensa, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, sobre as condições de abertura do ano letivo 2025/2026 nos Açores, referiu que no arquipélago estão licenciados que "necessitam de profissionalização, mas que não têm hipótese de se deslocar".
"Muitas destas pessoas já têm família constituída, têm a sua ilha de residência e não podem vir ter aulas a São Miguel. E nós achamos que uma das formas de resolver este problema seria com uma plataforma 'online' que, aliás, não é nenhuma novidade, a Universidade Aberta funciona assim, de forma a poder também garantir que estas pessoas concluíssem o seu processo formativo", acrescentou.
António Lucas sugeriu ainda a possibilidade de que, a nível nacional, as universidades "pudessem aumentar o número de alunos no âmbito da formação da docência".
Na análise do início de mais uma no letivo na região, a direção do SPRA mostrou-se preocupada com a "persistência dos problemas detetados nos últimos anos", relacionados com falta de professores, de assistentes técnicos e operacionais, com a educação inclusiva, infraestruturas e manuais digitais escolares.
Em relação aos recursos humanos, António Lucas salientou que as carências de docentes são mais evidentes nas ilhas periféricas dos Açores, havendo necessidade de recurso à contratação através da Bolsa de Emprego Público dos Açores (BEPA).
Desde o dia 01 de setembro até hoje, em toda a região, "estiveram e estão a concurso 156 horários", adiantou.
Na vertente da educação inclusiva, admitiu que se mantém a falta de docentes e de técnicos especializados e "as omissões legais relativas ao número máximo de alunos por turma".
Já no tocante aos manuais escolares digitais, segundo o presidente do SPRA, o ano letivo 2025/2026 iniciou-se com "muita perturbação".
"Centenas de alunos e docentes não têm ainda acesso aos manuais digitais da Porto Editora, devido à anulação do concurso pelo Tribunal de Contas", indicou.
Para o sindicato, uma medida tão "propagandeada" pela Secretaria Regional da Educação dos Açores tornou-se um constrangimento, pois nas escolas que optaram pelos manuais da Porto Editora, os alunos e os docentes, "neste momento, nem têm manuais digitais, nem têm manuais em papel".
"Portanto, aquilo que foi quase uma bandeira política está, neste momento, [a ser] uma bandeira um bocado esfarrapada e haveria alguma celeridade em resolver este problema", afirmou António Lucas.
O dirigente referiu, ainda, que o sindicato mantém a mesma opinião sobre os manuais digitais que veiculou quando surgiram: "É que a digitalização do ensino, só por si, não tem sentido. Os materiais em formato digital podem ser importantes como um instrumento pedagógico, mas não podem ser o único instrumento pedagógico".
Em 1 de setembro, a secretária regional da Educação, Sofia Ribeiro, adiantou que o ano letivo se iniciou nos Açores com 98% dos 5.300 docentes das escolas do ensino público colocados e realçou o "grande esforço" do executivo açoriano para promover a estabilidade na classe.
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