Carlos Pires, embaixador em Singapura, surge numa troca de mensagens. O caso Casa Pia e o desaparecimento de Madeleine McCann surgem nos ficheiros.
Carlos Pires, embaixador em Singapura, surge numa troca de mensagens. O caso Casa Pia e o desaparecimento de Madeleine McCann surgem nos ficheiros.
O atual embaixador de Portugal em Singapura, Carlos Pires, é um dos nomes que constam dos quase 4 milhões de ficheiros de Jeffrey Epstein divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Dos documentos constam, por exemplo, referências a viagens que o predador sexual fez no seu avião privado e que tiveram escala nos Açores. Há também referências ao desaparecimento de Madeleine McCann e ao escândalo Casa Pia. Um email enviado em julho de 2019 às autoridades norte-americanas dá conta da existência do documentário ‘O Desaparecimento de Madeleine McCann’, da Netflix, em que jornalistas portugueses mencionam um escândalo anterior de “abuso infantil num orfanato português”, numa menção clara ao caso Casa Pia, e que revelam que era “um facto conhecido” que “milionários americanos viajavam para Portugal em jatos privados” para abusar sexualmente destas crianças. O remetente, que surge ocultado no ficheiro, sugere que se siga esta “linha de investigação”.
Outro nome que é mencionado dos documentos é o do antigo ministro dos Negócios Estrangeiros Luís Amado. Este último surgiu numa lista de 15 personalidades estrangeiras que um remetente também não identificado sugeria que Epstein contactasse. Em declarações públicas, Luís Amado já desvalorizou esta referência, classificando o assunto como “ridículo” e garantindo que nunca teve qualquer contacto com o predador sexual.
“Não privei com Epstein e nunca houve qualquer encontro”
A ligação entre o diplomata português Carlos Pires e o pedófilo surge numa troca de emails que remonta a novembro de 2010, quando era adjunto do ministro Luís Amado. “Aguardo ansiosamente a sua visita a Nova Iorque. Venha em breve”, lê-se no email enviado por Epstein, ao que Carlos Pires respondeu: “Obrigado, Jeffrey. Foi um prazer conhecê-lo e aguardo também a sua visita a Portugal muito em breve. Mantemos o contacto.” Os emails trocados sugerem convites de ambas as partes para visitas a Nova Iorque e Lisboa, mas o diplomata garante ao CM que nunca esteve pessoalmente com Epstein. “O teor da troca de emails apresentada, da qual não guardo memória, é meramente circunstancial, comum no exercício das minhas funções, em que prima a cortesia, pelo que daí não há qualquer extrapolação a fazer. Não privei com Jeffrey Epstein e sublinho que nunca houve, obviamente, qualquer encontro em Nova Iorque ou Portugal.” Ao CM, Carlos Pires justifica ainda: “No exercício das minhas funções, contactei com milhares de pessoas, muitas delas – a grande maioria – não voltei a ver ou com as quais não voltei a falar.” Em relação à data que consta dos emails, esclarece: “Passados 16 anos, informo que não me lembro de alguma vez me ter cruzado com a pessoa em causa. Olhando para a data mencionada [novembro de 2010], o contacto referido só poderia ter acontecido no Fórum Sir Ban Yasm, organizado pelos Emirados Árabes Unidos, ocasião em que acompanhei o então ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, na qualidade de seu adjunto. Se tal ocorreu, nesse contexto protocolar e institucional, desconhecia em absoluto o seu percurso e o seu passado.” E remata: “Ao longo de quase três décadas ao serviço ao Estado Português, tenho pautado o desempenho dos meus diversos cargos pela seriedade, ética e transparência. Refuto qualquer tipo de associação caluniosa ao referido indivíduo, através de insinuações e conjeturas, e repudio, de forma veemente, qualquer tentativa de ataque à minha honra, bom-nome e reputação.”
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A empregada portuguesa
De acordo com os ficheiros, Epstein terá tido vários funcionários domésticos de origem portuguesa e brasileira. A estes funcionários o multimilionário norte-americano terá pago várias viagens internacionais. Uma dessas empregadas foi Maria Gomes de Melo (mulher do mordomo de Epstein, o brasileiro Valdson Vieira Cotrin), que o serviu durante quase duas décadas. Em declarações ao ‘The Telegraph’, Maria Gomes de Melo afirmou que nunca presenciou nada de impróprio “com mulheres menores de idade em cerca de 20 anos, nem em Nova Iorque, nem na sua ilha privada, nem em Paris”. Assegura que as jovens iam “fazer massagens e cortar as unhas”, mas que tudo “parava tudo por aí”.
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