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Ghislaine Maxwell

Principal cúmplice de Epstein e a mulher mais odiada: quem é Ghislaine Maxwell

Cúmplice de Epstein diz que só fala com o Congresso em troca de imunidade criminal. Maxwell sempre viveu rodeada de luxo, mas quase perdeu tudo após a morte do pai.

Cúmplice de Epstein diz que só fala com o Congresso em troca de imunidade criminal. Maxwell sempre viveu rodeada de luxo, mas quase perdeu tudo após a morte do pai.

13 de fevereiro de 2026 às 09:15

Condenada em 2022, a 20 anos de prisão por exploração sexual de menores, Ghislaine Maxwell, de 64 anos, tenta ainda esgotar os recursos judiciais contra a sentença. No início desta semana, a principal cúmplice de Jeffrey Epstein recusou responder às perguntas de um comité da Câmara dos Representantes do Congresso norte-americano, invocando o direito constitucional contra a autoincriminação. Os seus advogados exigiam imunidade criminal em troca do testemunho, condição que não foi aceite pelo comité liderado por republicanos. Entre as questões que ficaram por responder estava se Maxwell ou Epstein facilitaram o acesso de Donald Trump a menores, bem como perguntas sobre eventuais cúmplices e contactos com Governos estrangeiros ou serviços de informações. Questionada sobre a possibilidade de ser concedido um indulto a Maxwell, a Casa Branca respondeu que esta “não é uma prioridade” para o Presidente dos Estados Unidos.

No texto lido no início da audiência, a partir da prisão de segurança mínima no Texas onde se encontra a cumprir pena, Maxwell revelava ter conhecimento de 25 nomes associados à rede de tráfico sexual do antigo companheiro e que não se encontravam indiciados na investigação do caso, além de confirmar “quatro coconspiradores identificados”. Sobre a sua relação com Epstein, Maxwell refere agora que “foi o maior erro da minha vida”.

A socialite adorada que alimentava as perversões do monstro

Ghislaine Noelle Marion Maxwell nasceu no dia de Natal de 1961 em Maisons-Laffitte, França, e é a mais nova dos nove filhos de Robert Maxwell - magnata dono do Mirror Group, que detinha o ‘Daily Mirror’, e que foi o único de uma família de judeus a escapar aos nazis - e Elisabeth Meynard - académica francesa conhecida pelas suas pesquisas e publicações sobre o Holocausto.

Maxwell cresceu em Headington Hill Hall, um palacete do século XIX, com 57 divisões, em Oxford, licenciou-se em História Moderna e Línguas no Colégio de Balliol, onde se formaram 13 prémios Nobel, e tinha um iate batizado com o seu nome: ‘Lady Ghislaine’. Através do pai, que foi líder do Partido Trabalhista nos anos 60, conheceu estadistas, políticos, lordes, aristocratas, empresários e até espiões (dizia-se que Robert trabalhava, ao mesmo tempo, para o MI6 inglês, o KGB soviético e a Mossad israelita).

Contudo, tudo se desmoronou quando, em novembro de 1991, o pai apareceu morto, alegadamente um ataque cardíaco combinado com afogamento acidental, nas Canárias, deixando a família com dívidas de cerca de 1,5 mil milhões de euros. Devastada, Ghislaine viajou para Nova Iorque, onde se tornou anfitriã dos milionários de Wall Street e das celebridades das artes. Tinha 30 anos quando conheceu Jeffrey Epstein, então com 38. Na ‘Vanity Fair’, em 2003, ele chamou-lhe a sua “melhor amiga”, embora para os amigos fosse a sua “namorada principal” e elo de ligação a uma elite poderosa. Divertida e extrovertida, Maxwell era a alegria da festa, apesar de a máscara esconder um verdadeiro monstro. Ela não só recrutava raparigas, muitas delas menores, para serem abusadas por Epstein e pelo seu covil de predadores, como também era ela própria abusadora. No documentário da Netflix ‘Ghislaine Maxwell: Podre de Rica’, uma das vítimas diz mesmo que “ela era pior que Epstein”.

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Vítimas recordam abusos sexuais

Antes de Ghislaine Maxwell ser condenada a 20 anos de prisão por tráfico sexual, várias vítimas prestaram depoimentos chocantes. Sarah Ransome afirmou ter sido violada por Epstein quando tinha 22 anos. “Fui submetida a abusos sexuais várias vezes por dia. Numa das visitas à ilha dele, as exigências sexuais, a degradação e a humilhação eram tão horríveis que saltei de um penhasco para as águas infestadas de tubarões para escapar”, contou, admitindo ter tentado várias vezes o suicídio. Elizabeth Stein também era estudante universitária quando Maxwell a apresentou a Epstein. “Fui agredida, violada e traficada inúmeras vezes em Nova Iorque e na Florida, ao longo de vários anos”, disse.

Sarah Ransome e Elizabeth Stein
Sarah Ransome e Elizabeth Stein

O outro 'monstro'

A capacidade de manipulação de Ghislaine Maxwell começou com o pai. Segundo Roy Greenslade, editor do ‘Daily Mirror’, Robert Maxwell era “um pai monstruoso”, que “tratava a família muito mal”, à exceção da filha mais nova, que considerava muito parecida com ele. “Ele tratava-a com mais indulgência do que qualquer outro filho”, disse.

"Elas são lixo"

O documentário sobre Maxwell revela que esta terá contado a Christina Oxenberg que ia buscar três raparigas por dia para Epstein, uma vez que não conseguia satisfazer as suas necessidades. “Ela disse: ‘Elas não são nada, são lixo’. E isso diz tudo”, revelou a escritora americana.

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