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Correio da Manhã

Política
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“Só um deputado é do Opus Dei”

A Igreja Católica e o Opus Dei em Portugal recusam comparações com a maçonaria. Em declarações a que o CM teve acesso, o responsável máximo do Opus Dei em Portugal, José Rafael Espírito Santo, disse ontem que "só um deputado" é membro da organização religiosa: "o dr. Mota Amaral", do PSD. E acrescentou ser "um erro importante referir o Opus Dei" a respeito da influência da maçonaria na Assembleia da República.
11 de Janeiro de 2012 às 01:00
Mota Amaral, antigo presidente da Assembleia da República, assume que é do Opus Dei
Mota Amaral, antigo presidente da Assembleia da República, assume que é do Opus Dei FOTO: Sérgio Lemos

Por seu lado, o presidente»da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. José Policarpo, criticou em Fátima "a influência directa" da maçonaria na política. D. Policarpo afirmou que "não vê uma relevância muito grande" em que os políticos se declarem maçons. "Não me parece necessário", declarou, no final do Conselho Permanente da CEP. Mas "não é compatível" ser católico e maçon.

Referindo-se a um acórdão do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, que impediu o carácter obrigatório de os políticos declararem as suas ligações à maçonaria, Mota Amaral disse ontem que "não é altura de lançarmos uma espécie de caça à maçonaria". Mas acrescentou: "É preciso transparência. Falo por mim. Pertenço ao Opus Dei há mais de 50 anos".

Já Mário Soares defende que "os políticos devem assumir se fazem parte de uma organização maçónica", mas apenas por vontade própria. Soares admitiu ter sido da maçonaria em França e que saiu quando voltou para Portugal: "Estava demodé devido aos seus rituais e ao secretismo que a envolvia".

MINISTRA CRITICA SEGREDOS

A ministra da Justiça vê "com muita preocupação" a polémica sobre a maçonaria. Em entrevista à SIC Notícias, Paula Teixeira da Cruz acrescentou que "as sociedades democráticas não são compatíveis com sociedades secretas, sobretudo quando existem ritos de obediência". De acordo com a social-democrata, "ninguém nos garante que esses ritos de obediência não se sobreponham às obediências funcionais, legítimas, democráticas. Vejo esse fenómeno com preocupação". Mais: "Deviam ser objecto de um registo de interesses".

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