A IX Cimeira Portugal-Marrocos foi feita à pressão. Tratou-se de uma corrida contra o tempo que já era pouco à partida mas tudo piorou quando a comitiva portuguesa se atrasou cerca de três horas a partir de Lisboa, na segunda-feira. Esse tempo curto demonstrou, porém, como estão bem as relações entre os dois países pois os resultados não foram prejudicados. Na manhã de ontem, José Sócrates e o seu homólogo assinaram 18 acordos bilaterais, alguns dos quais de grande importância política e económica.
Portugal reforçou a sua força enquanto interlocutor de Marrocos em áreas como o turismo, o ordenamento do território, gestão de resíduos e águas residuais, estradas, entre outros domínios. Mas deu um passo na protecção e reforço do investimento privado português ao reforçar uma linha de crédito já existente em cem milhões de euros e uma outra de dez milhões para incentivar as importações de origem portuguesa para Marrocos.
Num plano mais prático foi ainda desbloqueado um velho problema que afectava as empresas de transportes portuguesas que se deslocam a Marrocos. Os dois países negociaram uma isenção fiscal recíproca, dando um estatuto aos camionistas portugueses que já têm as empresas espanholas e francesas.
Em matéria de resultados, a cimeira Portugal-Marrocos tinha a negociação dos acordos já muito avançada, o que lhe garantiu a produção de resultados. Um exemplo flagrante disso foi também a assinatura da convenção em matéria de extradição e que, para lá da negociação permanente que existe em matéria de cooperação no combate à criminalidade organizada, teve a intervenção pessoal do rei Mohammed VI. O soberano assegurou que Marrocos não executará sentenças perpétuas ou de morte, dando garantias a Portugal de que poderá extraditar foragidos ou presos pretendidos pela Justiça marroquina.
Esta fase muito distendida nas relações entre os dois países teve aliás plena expressão no encontro ontem celebrado entre o rei e José Sócrates. Depois de assinados os acordos da cimeira e de, na conferência de imprensa conjunta, José Sócrates ter assegurado que Portugal é solidário e aliado de Marrocos no combate ao terrorismo, o primeiro-ministro português viajou para Marraquexe onde almoçou com o rei. Mohammed VI chegou ao volante do seu automóvel, sem segurança visível, e o almoço, segundo fontes da diplomacia portuguesa, foi de “grande simpatia e informalidade”, acabando com conhaque francês e charutos cubanos.
Sócrates regressou depois a Rabat no avião pessoal do rei marroquino e daí partiu para Portugal. Um dos próximos passos na aproximação crescente entre os dois países será dado durante a presidência portuguesa da União Europeia, que Portugal tenciona transformar num palco de fortalecimento das relações entre a Europa e os países do flanco sul do Mediterrâneo. “A presidência portuguesa fará do flanco sul do Mediterrâneo uma prioridade da política externa europeia”, assegurou José Sócrates, que quer ver Marrocos com um estatuto avançado na interlocução com a União Europeia.
Para lá das relações bilaterais entre os dois países, pairou ao longo desta cimeira alguma pressão sobre Sócrates devido ao caso da Universidade Independente. Sócrates escusou-se logo na segunda-feira a comentar assuntos de política interna e ao longo dos dois dias da cimeira foi ‘blindado’ em relação a este assunto devido às exigências protocolares do encontro, que o afastaram dos jornalistas portugueses.
30 mil empregos Em Marrocos foram criados pelas empresas portuguesas. Um número que, segundo o primeiro-ministro, José Sócrates, deverá aumentar.
AUSÊNCIA: A República Árabe Saraui Democrática vai estar fora da segunda cimeira UE/África, como aconteceu em 2000, por não ser reconhecida por Marrocos.
APOIO: O Governo português garantiu ontem apoiar Marrocos na obtenção de um estatuto avançado nas relações com a União Europeia.
CAMINHOS-DE-FERRO
Os governos português e marroquino assinaram ontem em Rabat, Marrocos, uma convenção para a construção de linhas de caminhos-de-ferro, através da abertura de uma linha de crédito no valor de cem milhões de euros, financiada pela Caixa Geral de Depósitos.
POUSADAS TURÍSTICAS
Um plano global de reabilitação da cidade portuguesa em El-Jadida, antiga Mazagão, está a ser preparado pelos overnos português e marroquino. A reabilitação será feita através do envolvimento de empresas que transformarão palácios degradados em pousadas turísticas.
QUINZE ACORDOS
A IX Cimeira Luso-Marroquina terminou ontem, em Rabat, com a assinatura de 15 acordos nos domínios das finanças, economia, cultura, ciência e educação, transportes e ambiente, numa cerimónia presidida pelos primeiros-ministros de Portugal, José Sócrates, e de Marrocos, Driss Jetou.
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