Secretariado nacional dos TSD critica "declarações 'incendiárias' de altos responsáveis políticos.
Os Trabalhadores Social Democratas (TSD), uma estrutura autónoma do PSD, manifestaram esta quinta-feira preocupação com o clima que consideram que tem sido criado "contra a imagem do sindicalismo democrático em geral, e da UGT em particular".
Em comunicado, o secretariado nacional dos TSD, que se reuniu esta quinta-feira em Lisboa, critica "declarações 'incendiárias' de altos responsáveis políticos que põem em causa o bom nome daquela Central Sindical e dos seus sindicatos".
Em causa estão declarações proferidas pelo presidente do PS, Carlos César, na quarta-feira, no programa da TSF "Almoços Grátis", em que afirmou que a única forma de Carlos Silva ficar na história do sindicalismo "talvez seja" dar o "murro na mesa" prometido pelo líder da UGT.
"Tal facto constitui uma desconsideração inadmissível aos seus legítimos dirigentes eleitos democraticamente", consideram hoje os TSD, salientando que a UGT "foi e continuará a ser o principal parceiro sindical para a Concertação Social em Portugal".
Para os TSD, o "projeto moderado" da UGT permite "um diálogo interno franco e aberto entre as tendências político-sindicais, nomeadamente a social-democrata e a socialista", embora "privilegiando, sempre, a independência sindical face ao poder político-partidário".
"OS TSD repudiam quaisquer tentativas de menorização da UGT e dos seus sindicatos e de condicionamento, quer da sua ação sindical ao nível negocial, quer de interferência na sua democraticidade intrínseca baseada na livre escolha dos seus dirigentes e órgãos estatutários", refere ainda o comunicado desta estrutura autónoma do PSD.
No sábado, em entrevista ao Porto Canal, o secretário-geral da UGT, Carlos Silva, anunciou que não será recandidato a um novo mandato, alegando desgaste e falta de apoio que sente dentro do PS.
"O desgaste tem sido tremendo. Sinto que hoje, mesmo ao nível do PS, não tenho o necessário apoio, nem a necessária compreensão para me poder recandidatar. Não vale a pena continuar a chover no molhado", afirmou, dizendo que sente que é visto como "uma força de bloqueio".
Dois dias depois, foi noticiado que o ex-ministro e antigo porta-voz do PS, Paulo Pedroso, tinha deixado de ser militante do partido já antes das eleições legislativas de outubro, sem querer avançar à Lusa as razões da saída.
Numa publicação no Facebook no domingo, Paulo Pedroso considerou que a falta de apoio do PS referida pelo líder da UGT "merece reflexão de quem se situe politicamente à esquerda".
"Eu hoje sou um socialista democrático, preocupado com o futuro do sindicalismo e desvinculado da militância partidária e partilho com Carlos Silva o desencanto com o modo como esse partido trata, não a UGT, mas o sindicalismo em geral", referiu, considerando que, nas últimas eleições, o programa eleitoral do PS em matéria de diálogo social era quase igual ao de qualquer partido democrata-cristão europeu.
Paulo Pedroso apontou a exclusão dos sindicalistas socialistas das listas de deputados do PS como um "corolário lógico" de "desequilíbrio dado na atenção a empresas e a trabalhadores", considerando que "o desinteresse do PS pelo sindicalismo se agravou desde que António Costa é secretário-geral e primeiro-ministro".
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