O Governo teve duas vozes esta semana a falar sobre a construção de novos hospitais. Na passada terça-feira, o Ministério da Saúde emitiu um comunicado no qual referia que cinco hospitais projectados pelo anterior Executivo vão ser alvo de novos estudos para conhecer as necessidades e prioridades das zonas.
Depois decide-se ou não o avanço das obras. Nesta lista está o Hospital Central do Algarve, uma promessa eleitoral do primeiro-ministro.
Um dia depois, José Sócrates acabou por vir a terreiro e esclarecer que o Hospital é para construir. “Eu disse isso e mantenho”, declarou quarta-feira na Figueira da Foz.
O primeiro-ministro procurou, depois, justificar as declarações do ministro da Saúde, Correia de Campos, dizendo que o responsável governamental apenas disse que “o anterior Governo não fez estudos preparatórios que eram indispensáveis para que essa obra pudesse ser posta a concurso num modelo muito semelhante às parcerias público-privada”.
Ainda antes das explicações do primeiro-ministro, as reacções não se fizeram esperar. O deputado socialista eleito pelo círculo do Algarve, José Apolinário, classificou de “inaceitável” tal decisão, recordando que a construção daquela unidade hospitalar foi uma das principais promessas do actual primeiro-ministro. Macário Correia, presidente da Junta Metropolitana do Algarve sentiu-se ofendido. Mas foi Mendes Bota, líder do PSD/Algarve, quem colocou o ‘dedo na ferida’.
O ministro da Saúde já tem lugar “na pole position da primeira remodelação governamental”, disse ontem o dirigente local.
“Esta é a primeira trapalhada do Governo”, declarou Mendes Bota ao recordar as críticas entre dirigentes socialistas e o facto de o primeiro-ministro ter vindo a público desmentir um membro da sua equipa.
No Parlamento, a deputada Ana Manso criticou a decisão do Executivo de avançar a curto prazo com a construção de apenas cinco dos dez novos hospitais anunciados pelo anterior Executivo, considerando que se trata de uma resolução “grave e injusta” e classificou as “explicações” do Ministério da Saúde de “falsos pretextos”.
De acordo com o Ministério da Saúde, recorde-se, o actual Governo vai respeitar “os compromissos contratuais já assumidos com Loures, Cascais, Braga, Vila Franca de Xira e o equipamento final e gestão do Centro de Medicina Física e Reabilitação de São Brás de Alportel”. De fora ficam os hospitais de Vila do Conde, Évora, Guarda e Vila Nova de Gaia.
Esta não é a primeira vez que José Sócrates contradiz um membro do Governo.
Ainda antes de tomar posse, o ministro das Finanças, Campos e Cunha, chegou a defender, no limite, o aumento de impostos. O primeiro-ministro já disse, vezes sem conta, que o Governo não aumentará impostos e explicou, em entrevista à RTP, que o ministro das Finanças não tem poder de veto, ao contrário, por exemplo, de Manuela Ferreira Leite no Executivo de Durão Barroso.
HOSPITAIS VÃO FICAR MAIS CAROS
Sem o recurso a parcerias público-privadas, a construção dos novos hospitais vai sair mais cara aos enfraquecidos cofres do Estado. De acordo com os custos estimados conhecidos sobre três dos cinco hospitais projectados, o novo Hospital de Cascais teria para o Estado um custo de 409 milhões de euros, enquanto o futuro Hospital de Loures custaria 799 milhões de euros e o projectado para Braga 1186 milhões de euros. Ora se este era o custo estimado para a edificação dos novos centros hospitalares, no âmbito de uma parceria público-privada, não é difícil concluir que sem esta a construção ficará substancialmente mais cara.
CINCO PROJECTOS FICAM PELO CAMINHO
Cinco hospitais não vão ser construídos e Vila Nova de Gaia é uma das cidades que perdeu o projecto. No campo das intenções estava prevista a construção de um hospital-escola universitária para servir as populações de Gaia, Espinho, parte de Santa Maria da Feira, S. João da Madeira e ainda Castelo de Paiva e Arouca, o que representaria meio milhão de utentes.
Já o hospital de Vila do Conde assistiria uma comunidade de cerca de 150 mil habitantes, incluindo os residentes da Póvoa. Actualmente a população das duas cidades recebe assistência clínica num dos dois estabelecimentos de saúde existentes em ambas as cidades, que têm valências complementares. Ambas as unidades dispõem de Serviço de Urgência. Existe ainda um hospital privado, Clipóvoa, e onze centros de saúde dispersos pelas duas cidades. Uns quilómetros mais a sul, na Guarda, os 524.750 habitantes do distrito têm de se conformar com a assistência clínica do hospital distrital Sousa Martins e o hospital concelhio em Seia. Na Guarda, as opiniões estavam divididas até se saber da decisão governamental: uns defendiam a construção de um novo e outros pretendiam a ampliação do hospital existente.
Os 500 mil habitantes da região do Alentejo já não podem aspirar pelos cuidados do Hospital Central, que estava previsto para Évora. Seria para ali que os doentes – cujas situações não tivessem resposta nos outros hospitais da região – seriam encaminhados. Actualmente, os pacientes que não podem receber tratamento no Hospital de Évora são transferidos para o S. José, em Lisboa.
Por último, o Sul esperava pela construção do Hospital Central do Algarve que serviria os actuais 200 mil habitantes (que ascendem aos 700 mil no Verão) de Albufeira, Loulé, Faro, Olhão, Tavira e Vila Real de Santo António. Esta unidade seria de referência aos de Portimão e Lagos.
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