Líder do Chega afirmou que ministro da Administração Interna contribui "para o aumento do sentimento anti-polícia que existe em Portugal".
O líder do Chega acusou esta terça-feira o ministro da Administração Interna de "fazer gala" de ações contra polícias e anunciou o agendamento de um debate no parlamento sobre as forças de segurança, apelando à presença destes profissionais.
"Quando temos um responsável político, ministro da Administração Interna, que parece quase fazer gala destas ações contra a polícia, em vez de ser o representante da defesa das forças do Estado e de segurança, nós estamos num caminho perigoso porque estamos a dar a entender que todo o comportamento da polícia é desviante, que os agentes, homens e mulheres na sua maioria, são criminosos ou tendencialmente criminosos, e tiramos-lhes a autoridade", afirmou.
Em conferência de imprensa na sede do partido, em Lisboa, André Ventura anunciou que o partido agendou para a próxima semana um debate no parlamento sobre as forças de segurança.
"No próximo dia 14 de maio dedicaremos toda a ordem do dia parlamentar a assegurar o tratamento dado pelo Estado às polícias e a necessidade de revestir as mesmas de funções e de meios de autoridade que Portugal continua a negar", indicou.
O presidente do Chega espera a presença do ministro na Assembleia da República, "para o confrontar com as decisões que tem tomado".
O dirigente deixou também um apelo aos profissionais de todas as forças de segurança para que se façam representar na Assembleia da República nesse dia.
André Ventura referiu que o Chega vai levar propostas a esse debate, e apelou aos outros partidos que as viabilizem.
O líder do Chega quer voltar a debater o subsídio de risco e o alargamento do suplemento de missão, e indicou que o partido vai apresentar um diploma para atribuir à polícia "toda a autoridade que tem que ter para prender, para usar a arma quando tiver que usar a arma para dissuadir quando tiver que dissuadir e para que o criminoso não sinta que tem mais direitos do que o polícia".
No dia em que foram detidos mais 15 polícias no âmbito das suspeitas de tortura e violações na esquadra do Rato da PSP, em Lisboa, Ventura acusou também Luís Neves de ter feito declarações "pouco felizes" sobre o caso e de ter escolhido uma narrativa quando, por exemplo, anuncia a expulsão de elementos das forças de segurança por "comportamentos desviantes".
"Um ministro que devia representar a autoridade do Estado, escolhe o comportamento desviante dessas forças da autoridade do Estado e dos polícias, em vez de valorizar a insegurança que se vive todos os dias nas nossas ruas, nas nossas cidades e nas nossas vilas", criticou, afirmando que "escolher a narrativa dos polícias mal comportados, contra os polícias que devem ter a autoridade de agir, capacidade de agir e ferramentas legais para agir, é um erro".
O dirigente do Chega considerou que "é um erro que se pagará caro em termos de autoridade, em termos do prestígio das forças de segurança e em termos da própria estabilidade e da coesão social".
André Ventura considerou que o ministro tem generalizado as críticas e acusou-o de "desvalorizar a polícia" e de contribuir "para o aumento do sentimento anti-polícia que existe em Portugal".
Sobre este caso, o líder do Chega defendeu que "em todas as profissões, sejam lá quais forem, os comportamentos desviantes têm que ter consequências legais" e afirmou que se os agentes forem considerados culpados "devem ser punidos, dentro do que a lei determina".
"Nós temos que ser absolutamente intolerantes com os comportamentos desviantes, seja em que profissão for e seja em que extrato da sociedade for", salientou.
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