"Nenhum dinheiro paga a morte do meu filho"

Pais do menor recebem indemnização de 75 mil euros por perda do filho em setembro de 2006.

27 de dezembro de 2016 às 08:20
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Samuel Alves, de apenas 5 anos, foi colhido mortalmente, a 26 de setembro de 2006, na Linha do Norte, junto ao bairro da Belavista, na Madalena, Vila Nova de Gaia.

Dez anos depois, o Tribunal Central Administrativo do Norte condenou a REFER e uma seguradora a pagarem cerca de 75 mil euros de indemnização aos pais do menino. "Até hoje vivo em estado de choque e nunca mais vou recuperar. Não há dinheiro que pague a morte do meu filho", afirmou ao CM Sara Alves, a mãe da criança.

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No acórdão, o tribunal diz que a REFER é corresponsável pelo acidente - já que "não cumpriu as obrigações legais que sobre ela impendiam de promover pela fiscalização e segurança da infraestrutura" -, juntamente com a avó do menor, que acolhia o menino enquanto os pais trabalhavam.

No dia da tragédia, Samuel foi brincar com um amigo, Rafael Cardoso, de 4 anos, e ambos atravessaram um muro - que separava a via pública da Linha do Norte e estava parcialmente destruído. Foram os dois colhidos por um comboio. Samuel teve morte imediata. Rafael ficou gravemente ferido, mas sobreviveu.

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"Os miúdos do bairro sentem-se mais livres. Estão habituados a brincar na rua e a linha não tinha vedação", contou Sara Alves. "Se, à data do acidente, o muro estivesse reparado, as crianças não teriam acesso à via férrea", refere o acórdão. "Nunca se cura a perda de um filho", disse a mãe do menor.

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