Pai raptor regressa à Polícia Marítima
Paulo Guiomar, em liberdade condicional, foi reintegrado mas sem arma de serviço.
Maria Alice tinha apenas sete anos quando o pai, na altura agente da Polícia Marítima de Faro, a raptou e levou para Liège, na Bélgica. O caso remonta ao ano de 2012. Durante dois anos, a menina viveu num sótão, não ia às aulas e foi impedida de sair à rua.
Paulo Guiomar foi detido e acabou condenado a três anos e dois meses de prisão por sequestro agravado.
Cumpridos os dois terços da pena, já está a gozar a liberdade condicional e regressou ao trabalho. Foi-lhe retirada a arma de serviço, mas o Comando-Geral da Polícia Marítima integrou-o no apoio dos serviços administrativos.
Entretanto, a par do processo-crime, o Tribunal de Família e Menores já tinha proibido o contacto entre pai e filha. De recordar que a decisão se estende a Maria Dolores, mãe de Paulo Guiomar, que foi cúmplice no rapto e condenada a uma pena suspensa de dois anos e seis meses.
Ontem, o CM contactou Carla Evangelista, mãe da menina, atualmente com 12 anos, que se recusou a fazer comentários sobre o caso. De recordar que Maria Alice foi levada para a Bélgica depois de ter passado as férias de verão com o pai – a guarda da criança era da mãe.
Durante o julgamento, Alice relatou perante os juízes que viveu em várias casas e que "uma delas não tinha janelas". A menina referiu também que o pai e a avó "tinham medo" que a polícia os encontrasse. Por isso, fizeram tudo para que ela passasse despercebida. "Cortaram-me o cabelo à menino e eu vestia roupas de rapaz. Não gostava e chorava", confessou a menina aos juízes.
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