Produção parada na Secil de Setúbal devido a greve
Trabalhadores exigem aumento salarial de 40 euros por mês.
A produção na fábrica da Secil no Outão, em Setúbal, está esta terça-feira parada por causa da greve de três dias dos trabalhadores, que reclamam aumentos salariais e reposição de direitos laborais inscritos na contratação coletiva.
Segundo fonte do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Cerâmica, Cimentos e Construção, afeto à CGTP, o primeiro turno, que arrancava às 00h00 e que é responsável pelo funcionamento dos fornos, teve uma adesão de 100%.
Em declarações à agência Lusa, Pedro Jorge, do sindicato, explicou que a greve está "a correr como os trabalhadores tinham decidido", com uma adesão de 100% tanto nos fornos como nos moinhos e na expedição do material em stock.
Pedro Jorge, que pelas 08h40 se mantinha à entrada da Secil do Outão, junto do piquete de greve, explicou ainda que a adesão de 100% ocorre em todos os turnos que deveriam ter entrado até agora - 00h00 e 08h00 - e deverá manter-se no das 16h00.
No ano passado, segundo o sindicato, cerca de 80 trabalhadores fizeram um abaixo-assinado exigindo à empresa um aumento salarial de 40 euros por mês, além do cumprimento de outros direitos laborais.
Contudo, a empresa não respondeu e não aceita negociar o caderno reivindicativo, nomeadamente o acordo de empresa, que os trabalhadores dizem não estar a ser cumprido.
A greve prolonga-se até dia 1 de junho, inclusive.
A Secil é detida pela Semapa, 'holding' que tem como acionista maioritária a família Queiroz Pereira.
Medidas de gestão garantem sustentabilidade a longo prazo
A Secil defendeu hoje que a responsabilidade social da empresa só será viável com "medidas de gestão que assegurem a sustentabilidade" a longo prazo, numa resposta às exigências dos trabalhadores, que estão em greve.
Num comunicado enviado às redações, a Secil diz que precisa de "tomar medidas que visam a preservação da sua sustentabilidade económico-financeira" tendo em conta a "quebra abrupta" no consumo de cimento a partir de 2007.
A produção da fábrica da Secil no Outão, em Setúbal, está hoje parada por causa da greve dos trabalhadores, que reclamam aumentos salariais e a reposição de direitos laborais inscritos na contratação coletiva.
Em comunicado, a Secil recorda que durante alguns anos a queda no consumo de cimento pôde ser parcialmente compensada pela exportação, mas nos últimos anos, devido à queda do preço do petróleo, os principais mercados de exportação "diminuíram significativamente".
"Por estas razões, a empresa apresentou resultados líquidos negativos em 4 dos últimos 5 exercícios, acumulando cerca de 70 milhões de euros de prejuízos nesse período, o que levou a uma injeção de capital do acionista Semapa de valor avultado", sublinha.
Recorda que a empresa, neste quadro, precisa de "tomar medidas que visam a preservação da sua sustentabilidade económico-financeira", sublinhando que procura "causar o menor impacto possível nos seus colaboradores, assegurando, no essencial, os benefícios e condições salariais já existentes na empresa".
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