Dúvidas absolveram inspetora Ana Saltão
Juízes e jurados com “muitas dúvidas” seguiram a regra básica do “in dubio pro reo”.
A absolvição de Ana Saltão – a inspetora da Polícia Judiciária acusada de matar a avó do marido, em Coimbra – não significa que o tribunal tenha ficado "convencido com o que foi trazido pela defesa", disse o juiz Miguel Veiga na leitura do acórdão. Mas também "não ficou convencido da versão da acusação" e na dúvida absolveu a arguida. A decisão não agradou ao Ministério Público (MP), que vai recorrer.
O tribunal de júri, como explicou o juiz, teve "muitas dúvidas" sobretudo em relação aos três pontos essenciais da acusação e seguiu a regra do "in dubio pro reo". Desde logo, as motivações económicas apontadas pelo MP, que não foram tidas como sustentáveis. Miguel Veiga considerou o móbil do crime alegado como "um dos pontos mais espinhosos". Disse que a arguida e o marido, também ele inspetor da PJ do Porto, eram um casal "claramente de classe média", não havendo demonstração de "verdadeiro aperto" que pudesse levar ao homicídio.
Outro dos aspetos está relacionado com o desaparecimento da arma de uma colega de Ana Saltão das instalações da PJ do Porto. "Temos elementos que nos possam dizer de forma segura que a arma desapareceu por alguém a ter subtraído e que esse alguém foi a arguida? Efetivamente não temos", referiu o juiz.
O tribunal também teve dúvidas relativamente ao tempo que a arguida terá tido para fazer a viagem entre a Maia, onde foi vista pelas 14h30, e Coimbra, onde o crime ocorreu às 15h53, data em que foram ouvidos os tiros. "Este timing da vinda da Maia a Coimbra é curtíssimo", salientou o juiz.
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