Padre pede desculpa e escapa a julgamento
Ex-pároco de Canelas e padre suspenso de Fafe chegam a acordo no Tribunal do Bolhão.
"O meu nome andou na lama e eu vim tirá-lo de lá hoje". Quatro anos depois de ter sido acusado por Roberto Sousa, ex-pároco de Canelas, Vila Nova de Gaia, de ter abusado sexualmente de um menor, o padre Abel Maia mostrou-se aliviado, na segunda-feira, à saída do Tribunal do Bolhão, no Porto.
Roberto Sousa, que ia começar a ser julgado por difamar o antigo sacerdote de Fafe, chegou a acordo para fazer um pedido de desculpa público. O julgamento ficou sem efeito.
A polémica estalou em novembro de 2014, altura em que o padre Roberto Sousa enviou uma carta ao falecido bispo do Porto, onde imputava a Abel Maia crimes sexuais. O sacerdote foi suspenso de funções em Fafe e o Ministério Público investigou as denúncias. O caso foi arquivado.
"Se não fosse a minha família, os meus amigos e a minha fé, eu já estava num manicómio", disse o pároco, à saída do tribunal.
O acordo assinado pressupõe a publicação de um pedido de desculpa público do padre Roberto Sousa em dois jornais nacionais, incluindo o CM. "Os dois padres consideraram que o que estava em causa era um mal-entendido. O meu constituinte reconheceu que a iniciativa de enviar uma carta ao bispo do Porto foi um ato imponderado", diz Armandino Lopes, advogado do padre Roberto.
Questionado sobre o motivo para não terem conversado antes, Abel Maia disse que a iniciativa não poderia partir de si: "Eu não ia a correr abraçá-lo. Ele nunca tentou falar comigo".
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