Inspetora da Judiciária livra-se de homicídio
Ana Saltão, da PJ, era acusada de ter matado a avó do marido, em novembro de 2012, a tiro.
Foi com base no princípio ‘in dubio pro reo’ (na dúvida, a favor do réu) que o Tribunal da Relação de Coimbra confirmou esta quarta-feira a absolvição da inspetora da PJ Ana Saltão – tal como decidira a primeira instância, numa repetição do julgamento –, pelo homicídio a tiro da avó do marido, em 2012.
Agora, o coletivo de juízes da Relação de Coimbra negou provimento ao recurso interposto pelo Ministério Público (MP).
Os últimos anos foram de avanços e recuos na Justiça sobre este caso, tornado mediático por envolver uma inspetora da PJ do Porto, detida por colegas sob suspeita de ter cometido o crime, em Coimbra.
Em 2014, após o primeiro julgamento em que Ana Saltão também foi absolvida na primeira instância, a Relação de Coimbra teve outra posição sobre o processo.
Em 2015 decidiu anular a decisão e condenar a arguida a 17 anos de prisão pelo homicídio.
A defesa recorreu do acórdão da segunda instância e o Supremo Tribunal de Justiça rejeitou a decisão da Relação de Coimbra, considerando que o tribunal extraiu "ilações de factos".
Durante a repetição do julgamento, em 2017, o MP manteve a tese e considerou Ana Saltão a autora do crime.
Pediu 25 anos de prisão, mas o tribunal voltou a absolver a inspetora.
Morte da avó resolveu problemas financeiros
A morte de Filomena Gonçalves resolveu os problemas financeiros de Ana Saltão e do marido, Carlos, que tinham várias discussões familiares. A morte fez com que os dois filhos da vítima, inclusive o pai de Carlos, tenham recebido mais de 100 mil euros de herança cada um.
Queimou-se a fazer uma omeleta para o jantar
Para justificar uma lesão que tinha na mão, que para o MP foi provocada pelos disparos da arma, Ana Saltão disse em Tribunal que se tinha queimado a fazer uma omeleta para o jantar. Disse também ter entornado um copo de vinho em cima do telemóvel.
PORMENORES
Ana Saltão ausente
A inspetora Ana Saltão não esteve presente ontem durante a decisão do Tribunal da Relação de Coimbra que a absolveu do crime de homicídio.
Quintela satisfeita
A decisão deixou satisfeita a advogada Mónica Quintela, que destacou que os dados apontaram sempre para a absolvição, num processo muito difícil.
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