Congregação católica alvo de queixa por burla

Rogério Guimarães alega que a extinção da Fundação Lusitânia pela Arquidiocese de Braga foi “ilegal e nula”.

07 de fevereiro de 2019 às 08:51
Rogério Guimarães criou Fundação Lusitânia para combater a pobreza Foto: Sérgio Lemos
terço, religião Foto: Rui Miguel Pedrosa

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"Doei tudo o que tinha e sou hoje tecnicamente indigente." Rogério Guimarães, que criou a Fundação Lusitânia, sediada em Guimarães, apresentou uma queixa-crime por burla qualificada contra a Congregação do Santíssimo Redentor (que detinha 15% da entidade).

O fundador tinha doado três propriedades, no valor de 2,6 milhões de euros, à fundação - que foi extinta pela Arquidiocese de Braga, em 2018, a pedido do provincial da congregação católica, por "não se vislumbrar possibilidade de dar continuidade aos projetos [de combate à pobreza no estrangeiro] a que se propunha".

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O fundador considera a extinção "ilegal e nula", já que não foi deliberada pelos senadores da fundação - indica que detinha 85% da fundação e nunca foi ouvido ou notificado da vontade de encerramento -, nem foi verificada uma atuação que originasse um "grave dano para a doutrina, disciplina ou escândalo de fiéis", como preconizam os estatutos.

Rogério Guimarães garante ainda que estava "pronta a arrancar" a criação da Zona Especial de Economia Social de Mercado, no valor de "milhares de milhões de euros", na Guiné-Bissau.

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"Eu perdi tudo o que tinha, mas há danos muito maiores, nomeadamente o combate à pobreza na Guiné", refere ao CM. Pede, por isso, ao Ministério Público que investigue o processo de extinção da Fundação Lusitânia.

A Arquidiocese de Braga indica que, "ao abrigo da Proteção de Dados, não deve nem pode responder" ao CM - que procurou ainda esclarecimentos junto da congregação, sem sucesso.

António Marinho, ex-provincial, diz apenas que se "trata de um assunto interno".

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