Congregação católica alvo de queixa por burla
Rogério Guimarães alega que a extinção da Fundação Lusitânia pela Arquidiocese de Braga foi “ilegal e nula”.
"Doei tudo o que tinha e sou hoje tecnicamente indigente." Rogério Guimarães, que criou a Fundação Lusitânia, sediada em Guimarães, apresentou uma queixa-crime por burla qualificada contra a Congregação do Santíssimo Redentor (que detinha 15% da entidade).
O fundador tinha doado três propriedades, no valor de 2,6 milhões de euros, à fundação - que foi extinta pela Arquidiocese de Braga, em 2018, a pedido do provincial da congregação católica, por "não se vislumbrar possibilidade de dar continuidade aos projetos [de combate à pobreza no estrangeiro] a que se propunha".
O fundador considera a extinção "ilegal e nula", já que não foi deliberada pelos senadores da fundação - indica que detinha 85% da fundação e nunca foi ouvido ou notificado da vontade de encerramento -, nem foi verificada uma atuação que originasse um "grave dano para a doutrina, disciplina ou escândalo de fiéis", como preconizam os estatutos.
Rogério Guimarães garante ainda que estava "pronta a arrancar" a criação da Zona Especial de Economia Social de Mercado, no valor de "milhares de milhões de euros", na Guiné-Bissau.
"Eu perdi tudo o que tinha, mas há danos muito maiores, nomeadamente o combate à pobreza na Guiné", refere ao CM. Pede, por isso, ao Ministério Público que investigue o processo de extinção da Fundação Lusitânia.
A Arquidiocese de Braga indica que, "ao abrigo da Proteção de Dados, não deve nem pode responder" ao CM - que procurou ainda esclarecimentos junto da congregação, sem sucesso.
António Marinho, ex-provincial, diz apenas que se "trata de um assunto interno".
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt