GNR castiga patrulha que forçou prostituta a fazer continência
Militares que prestam serviço em Quarteira foram transferidos e afastados do contacto com o cidadão.
Foi uma patrulha do destacamento da GNR de Quarteira, em Loulé, no Algarve, que obrigou uma prostituta a fazer continência à passagem do carro-patrulha, numa estrada que liga Quarteira à EN125.
Os dois militares estão a ser alvo de um processo disciplinar e foram afastados do contacto com o cidadão, considerando a GNR, em comunicado emitido ontem, que a sua presença na área onde o caso ocorreu "é considerada incompatível com o decoro, a disciplina e a boa ordem do serviço".
Os militares serão transferidos preventivamente para o Comando da Unidade, em Faro.
Segundo apurou o CM, o comando-geral da GNR demorou apenas uma hora a identificar os militares, após enviar um email a todos os comandos distritais a pedir informações.
O caso foi avançado ontem, em primeira mão, pelo CM, na sequência de um vídeo feito pelos próprios guardas. Num registo de 40 segundos é possível ver a aproximação do carro-patrulha a uma prostituta, de nacionalidade nigeriana.
Com as luzes das rotativas ligadas e com recurso ao megafone da viatura ouve-se um dos militares gritar a ordem: "Continência!" O carro pára na beira da estrada e a mulher faz a continência que lhe é ordenada.
O vídeo termina com as gargalhadas dos guardas.
O CM esteve esta quarta-feira na estrada mas a prostituta não se encontrava no local. Outras mulheres que se prostituem na zona referiram achar que é "uma brincadeira" de que também já foram alvo.
Elementos da GNR estiveram igualmente no local à procura da mulher, sem sucesso.
PORMENORES
GNR não tolera
Num primeiro comunicado enviado às redações, a GNR refere "que não se revê, nem tolera a adoção deste tipo de conduta, a qual é contrária aos padrões de atuação dos seus militares".
Caso isolado
A GNR diz estar consciente de que se trata de um caso isolado e, por isso, "não representativo dos cerca de 23 000 mulheres e homens que, diariamente, fazem da GNR uma instituição prestigiada".
MAI remete
Fonte oficial do Ministério da Administração Interna, confrontada pelo CM, remete esclarecimentos para os comunicados difundidos pela GNR, não avançando mais pormenores.
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