Erro judicial do Tribunal de Lisboa liberta professora que matou o namorado
Supremo anulou e a arguida foi solta. Fernanda Baltazar já voltou ao ensino.
Um erro judicial do Tribunal da Relação de Lisboa, que introduziu uma alteração não significativa dos factos no acórdão condenatório de primeira instância, levou à libertação de uma mulher de 36 anos, condenada a 17 anos de cadeia pelo homicídio do namorado. Fernanda Baltazar, professora, voltou a dar aulas.
O crime ocorreu na antevéspera do Natal de 2016. Em tribunal, Fernanda Baltazar recusou falar em homicídio, dizendo antes ter ajudado Hugo Oliveira, o companheiro, a suicidar-se. Para o efeito, o casal comprou 35 quilos de gelo seco – regado com água liberta monóxido de carbono – que foram espalhados na cama onde Hugo Oliveira se deitou, na casa do casal, no Parque das Nações, em Lisboa.
A vítima foi drogada e a cama incendiada. Fernanda fugiu para Vila Nova de Gaia, onde viria a ser presa pela PJ. Foi condenada, em março de 2018, a 17 anos de prisão.
No entanto, já em maio deste ano, o Tribunal da Relação de Lisboa entendeu introduzir alterações não substanciais ao acórdão. O Supremo anulou esta decisão, alegando que a arguida não foi notificada, e não lhe foi dada possibilidade de apresentar defesa em relação a essas alterações.
Assim, e porque não ficou confirmada a condenação, o prazo máximo de prisão preventiva (metade da pena), baixou para ano e meio. Fernanda já tinha cumprido esse período e foi solta. Como não tem cadastro (condenações transitadas em julgado), regressou ao trabalho (leciona português e inglês ao 5º ano).
O CM contactou por escrito, a pedido deste, o advogado Hélder Fráguas, que representa Fernanda Baltazar. O mesmo não respondeu até fecho desta edição.
Rui Pereira diz que Relação tem de dar possibilidade de defesa a professora
O professor universitário Rui Pereira considera que o acórdão do Supremo Tribunal, que causou a anulação da alteração não substancial dos factos introduzida pela Relação de Lisboa no acórdão condenatório de Fernanda Baltazar, leva a que os desembargadores reabram o processo.
"A prova que levou à condenação e o resto da apreciação do recurso da defesa para a Relação, mantêm-se intactos. É necessário agora a arguida poder apresentar defesa sobre os novos factos", explicou Rui Pereira.
PORMENORES
Ex-diretor do SEF
O juiz conselheiro Gabriel Catarino, ex-diretor nacional do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, foi o relator do acórdão do Supremo.
Chorou no julgamento
Fernanda Baltazar chorou várias vezes durante o julgamento. Disse que viveu uma relação muito complicada com Hugo Oliveira. Segundo referiu, a vítima tinha problemas psiquiátricos.
Jantar de 300 euros
Antes da morte de Hugo Oliveira, o casal gastou 300 euros num jantar no Hotel Ritz, em Lisboa. Comeram carne de veado.
Causa da morte
Hugo Oliveira morreu devido à inalação de monóxido de carbono. Segundo a autópsia, tinha também diversos calmantes no organismo.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt