"Essa equipa especial foi um autêntico flop": Rui Pinto critica magistrados do DCIAP
Hacker português continua a ser ouvido esta segunda-feira no processo 'Football Leaks’.
Rui Pinto continua a ser ouvido, esta segunda-feira, em tribunal no âmbito do caso 'football leaks'. A sessão desta manhã debruça-se sobre os acessos à Procuradoria-Geral da República através da caixa de email de Amadeu Guerra, então diretor do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP).
"O meu foco era o DCIAP", garantiu Rui Pinto quando questionado pelo tribunal sobre os motivos que o levaram a aceder à PGR.
"Temos de recuar ao dia 13 de setembro de 2018. A Sábado fez um artigo que me ligava aos emails do Benfica. As minhas fotografias começaram a circular nas televisões. Comecei a receber dezenas de ameaças de morte. O Facebook do meu pai foi hackeado por desconhecidos. A PJ meteu esse caso na gaveta sem fazer qualquer diligências", rematou.
O hacker português fez ainda duras críticas aos magistrados que dirigiram o inquérito. "Essa equipa especial foi um autêntico flop. Apenas avançaram e mostraram resultados em inquéritos contra mim".
Quando interrogado sobre o porquê de não ter colaborado com as autoridades portuguesas quando foi detido, uma vez que admitiu ter interesse em fazê-lo afirmou: "Não tinha confiança nas autoridades portuguesas. Quando fui entregue às autoridades, estive umas horas na PJ. E disse-lhes que tinha todo o interesse em colaborar e fornecer informação, apreendida e aquela que não foi apreendida, mas não foi interesse."
"As autoridades portuguesas pensavam que tinham tudo controlado. Mal eles sabiam o que vinha uns meses mais tarde com o 'Luanda Leaks'. Alterei a minha postura e o Ministério Público também", revelou o pirata português.
As alegações finais estão marcadas para o dia 4, 5 e 6 de janeiro de 2023.
Caso "Football Leaks"
O 'pirata informático' é suspeito de ter espiado quase 500 alvos.
O criador do 'Football Leaks' encontra-se em liberdade desde 7 de agosto de 2020, face à sua colaboração com a Polícia Judiciária, embora esteja , por questões de segurança, inserido no programa de proteção de testemunhas em local não revelado e sob proteção policial.
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