Desmantelada rede que abastecia laboratórios de droga em Portugal. Há nove detidos

Suspeitos ficaram em prisão preventiva.

23 de setembro de 2024 às 12:47
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A Polícia Judiciária desmantelou uma rede criminosa que abastecia laboratórios de produção de droga, localizados no norte e no centro de Portugal e também na zona de Lisboa e Vale do Tejo, que se traduziu na detenção de nove pessoas suspeitas do tráfico de estupefacientes, informaram as autoridades em comunicado. 

A Operação 'Bola de Neve' "decorria desde o início deste ano e permitiu recolher informação e obter vasta matéria indiciária, conseguindo-se a identificação de uma célula que, a partir do norte de Portugal, procedia à aquisição de elevadas quantidades de produtos químicos e precursores, tendo em vista o abastecimento de diferentes laboratórios artesanais", pode ler-se no comunicado.

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A droga, proveniente da América do Sul, vinha dissimulada no interior de cocos. 

As detenções foram feitas por alegada prática dos crimes de tráfico de estupefacientes agravado, associação criminosa, branqueamento de capitais, resistência e coação sobre funcionário e condução perigosa de veículo rodoviário. Os suspeitos foram já presentes a juiz para primeiro interrogatório judicial, tendo ficado sujeitos à medida de coação de prisão preventiva.

A operação, que foi desencadeada em Vila Nova de Famalicão, Matosinhos, Maia, Paredes, Leiria, Óbidos, Caldas da Rainha, Alfeizerão, Coruche e Azeitão, identificou uma célula no norte de Portugal que comprava grandes quantidades de produtos químicos para abastecimento dos laboratórios artesanais, sendo depois a droga enviada para outros países por via rodoviária.

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No total, foram apreendidos "cerca de 830 Kg de pasta de coca em armazém, centenas de litros de químicos, benzinas, ácidos, precursores e outros, bem como toda uma estrutura apta a transformar pasta de coca em cloridrato de cocaína". Além disso, mais de "31 mil euros em numerário, documentação diversa, 12 viaturas, dois empilhadores e um monta-cargas, material de corte e transformação, aparelhos de comunicação, aparelhos e dispositivos eletrónicos" foram também apreendidos. 

O diretor do Departamento de Investigação Criminal de Leiria da PJ, Avelino Lima, disse à agência Lusa que dos arguidos, todos portugueses, a maioria tem histórico relacionado com o narcotráfico.

Avelino Lima precisou que o processo passava por substituir, na origem, o sumo de coco por pasta de cocaína.

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"Depois, o coco era fechado e expedido, em contentores, como se fosse fruto, para o circuito comercial normal", adiantou este responsável, referindo que a carga chegava a um porto da região de Lisboa, onde "escapava por completo ao controlo das autoridades alfandegárias, dada a forma de acondicionamento e de profissionalismo da organização criminosa".

Avelino Lima precisou que foram duas operações feitas por duas unidades da Judiciária, que se articularam.

"A organização tinha duas facetas, a importação dos cocos e a importação dos químicos e montagem de laboratórios artesanais necessários para a transformação da pasta de cocaína", explicou, frisando tratar-se de "organizações com grandes dimensões, que trabalham em rede e com extensões em vários pontos do território nacional", além de que possuem "enorme capacidade" operacional.

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O diretor do Departamento de Investigação Criminal de Leiria da Judiciária salientou ainda que o trabalho realizado em "polos distintos do país" desta polícia, de forma "articulada e coordenada", permitiu produzir o resultado hoje divulgado.

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