A mulher pedia que Jusmino a matasse
Dois dias após a tragédia que enlutou São Xisto, os três habitantes que restam na aldeia, Atília, viúva, e um casal, Adelaide Sequeira e Valdemar Granja, recordam alguns actos insensatos de Jusmino Vila Real, o autor dos disparos.
Contam que Maria Alice Ribeiro, a mulher dele e uma das vítimas da matança, “não podia falar com ninguém”. “Coitadinha, ela sofreu muito neste último ano e não merecia. Era uma jóia de pessoa”, diz Atília, de 68 anos.
Adelaide Sequeira, de 64 anos, mulher de Valdemar Granja, de 61, também diz que a mulher de Jusmino sofria com o marido: “Eu ouvi muitas vezes ela a implorar ao Jusmino para a matar”. E ele matou-a...
Os três habitantes de São Xisto ainda vivem em estado de choque, mal conseguem dormir e, mais do que nunca, estão determinados em abandonar a povoação.
Atília de Jesus, Adelaide Sequeira e Valdemar Granja passaram o domingo juntos. O medo carrega-lhes a alma e não conseguem evitar as conversas à volta do caso. “Estas mortes tão cedo não vão ser esquecidas”, diz Atília.
Os moradores que restam em São Xisto vão mesmo abandonar a aldeia. Combinaram uma estratégia: “Quando eu e o meu marido estivermos na nossa casa de Gaia, a minha prima Atília fica com o filho em São João da Pesqueira. Quando viermos para cá descansar, ela vem também”, diz Adelaide Sequeira. “Mal durmo de noite. Ainda hoje ouço os tiros”, diz Atília, que ontem foi à missa dominical a Vale de Figueira, sede da freguesia, e rezou pelos falecidos, apesar de o prade Samuel não ter feito na homilia qualquer referência ao caso. “Eram todos meus amigos e nunca me fizeram mal”, diz Atília.
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