Acidentes com trotinetas fazem cinco mortos em três anos

Distrito do Porto é onde a PSP regista mais problemas com estes veículos. Houve mais de 2300 feridos desde 2019.

09 de março de 2026 às 01:30
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São pequenas, ágeis, relativamente baratas e tornaram-se uma presença incontornável nas ruas das principais cidades. Mas também são frágeis e responsáveis pela ida de centenas de pessoas - sobretudo jovens - às urgências devido a ferimentos graves todos os anos e pelo menos cinco mortes desde 2023. As trotinetas já são responsáveis por mais de 500 acidentes graves todos os anos (ver infografia).

De acordo com dados da PSP, "uma larga maioria dos acidentes desta tipologia são causados por algum tipo de negligência, em que o excesso de velocidade para as condições objetivas de circulação (ainda que sem superar o limite de 25 km/h) contribui para causar e ou agravar o acidente". "Segundo o art.º 112º do Código da Estrada, estes veículos são equiparados a velocípedes, não podendo por regra ultrapassar os 25 km/h em patamar. Os veículos equiparados que não respeitem algum dos pressupostos legalmente previstos neste art.º ficam sujeitos às condições de circulação previstas em regulamento (a publicar pelo Instituto da Mobilidade e Transportes)", acrescenta a Direção Nacional da PSP em resposta ao Correio da Manhã.

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Acidente com trotinetas fazem cinco mortos em três anos

Mas não só. A falta de infraestrutura (vias exclusivas, protegidas do tráfego automóvel) e a grande oferta devido à liberalização do mercado de aluguer de trotinetas nas principais cidades fazem com que os números da sinistralidade cresçam. Qualquer pessoa, mesmo menor de idade, pode conduzir uma trotineta de aluguer, basta ter um telemóvel e instalar a respetiva aplicação. Não precisa de ter carta nem saber as regras do  Código da Estrada. A nível privado, já é possível comprar trotinetas elétricas capazes de atingir velocidades superiores a 100 km/h.

Os dados da PSP demonstram que o distrito do Porto é aquele onde mais acidentes foram registados no último ano - 138 no total, seguido de Lisboa com 80 acidente. No entanto, o fenómeno, que ganha mais relevância nos centros urbanos, já afeta todos os distritos do País e até os arquipélagos. Mas foi no distrito de Aveiro que se registou a única vítima oficial de acidentes de trotineta em 2025. A tendência, de acordo com a estatística, é de estabilização - cerca de 500 acidentes do género por ano - depois da 'explosão' registada em 2022, que a PSP explica com o fim à restrição na circulação devido à Covid-19 nos anos anteriores.

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"Sem dois dentes e com um traumatismo craniano"

Nos últimos dias de fevereiro, a PSP de Almada e os bombeiros tiveram de responder a um acidente grave na avenida que liga o Laranjeiro à Cova da Piedade. Já de noite, dois jovens montados numa trotinete passaram por cima de um buraco no asfalto e acabaram projetados para o chão, depois de a pequena viatura de duas rodas se partir ao meio. O que ia atrás escapou com ferimentos ligeiros uma vez que a queda foi amparada pelo corpo do amigo. "O que ia a conduzir a trotineta bateu com a cara no chão, ficou sem dois dentes e com um traumatismo craniano", explica fonte ligada ao socorro nesta ocorrência, acrescentando que "por norma as vítimas são sempre muito jovens". No concelho de Almada, mas a 26 de agosto do ano passado, um homem de 40 anos morreu a poucos metros do hospital Garcia de Orta, quando seguia de trotineta e foi colhido por um carro. 

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Álcool é problema

Fonte da PSP de Lisboa admite ao CM que é habitual, sobretudo nas madrugadas de sábado e domingo, detetar jovens alcoolizados a circular em trotinetas elétricas após uma noite de diversão em bares e discotecas. "Quase sempre jovens, muitas vezes nem sabem que não podem conduzir sob efeito do álcool. Acabam por ser os pais a ir buscá-los à esquadra." 

ANSR Sem estratégia    

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Portugal está ainda à espera da Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária 20-30. O objetivo português e europeu seria reduzir em 50% as mortes nas estradas até 2030, mas o documento que deveria ser elaborado pela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) ainda não saiu da gaveta nem se sabe quando isso irá acontecer. As novas formas de transporte deveriam constar no documento.

PSP alerta

A PSP "aconselha sempre ao uso do capacete e ao cumprimento das regras estradais por todos, incluindo os utilizadores destes meios mais suaves de mobilidade, que são os mais vulneráveis num contexto urbano extremamente complexo e onde circulam no mesmo espaço desde velocípedes até veículos pesados".

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