Acusado de terrorismo queria construir versão do ataque através "um Pedro Marques Lopes desta vida"

Nélson Vassalo foi acusado de crimes de terrorismo contra a manifestação da “Marcha pela Vida”, a 21 de março deste ano. Ministério Público defende manutenção da prisão preventiva.

16 de outubro de 2026 às 15:43
Homem que atirou 'cocktail molotov' contra Marcha Pela Vida - Nelson Vassalo, ex- professor Foto: Direitos reservados
Ataque com bomba por anarquista em Portugal: Nelson Vassalo detido Foto: Direitos Reservados

1/2

Partilhar

O Ministério Público não tem dúvidas: a 21 de março de 2026, Nélson Vassalo arremessou um cocktail Molotov na direção da "Marcha pela Vida", agindo "unicamente pela convicção político-ideológica de extrema-esquerda, visando a luta política armada através do uso do fogo". A acusação imputa ao ex-militante do PS 10 crimes de infrações terroristas, todos em concurso com homicídio na forma tentada, incêndio e explosão e detenção de arma proibida.

De acordo com a acusação do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), Nélson Vassalo atravessou, entre 2021 e 2026, um processo de radicalização. Militante do PS - entretanto expulso na sequência do processo - o professor na Faculdade de Belas Artes, em Lisboa, foi revelando, ao longo dos anos, frustração com o caminho dos socialistas. No seu computador, foi até apreendido um documento, designado por "Manifesto", no qual defendeu uma viragem à esquerda, tendo até sugerido, "por mais desagradável que seja", que o PS deveria "tomar uma posição necessariamente mais hostil à propriedade".

Pub

Nos dias anteriores ao atentado contra a marcha pela vida, Nélson Vassalo trocou mensagens com amigos sobre a preparação do ato. O que levou o Ministério Público a sublinhar o caráter premeditado do mesmo. Já depois do ataque e da primeira detenção (21 março de 2026), as mensagens recolhidas no telemóvel de Nélson Vassalo mostram que houve uma preocupação para criar uma narrativa que lhe fosse favorável.

A 27 de março, um amigo disse-lhe ser necessário "pensar e começar a implantar a versão" de que o alvo do cocktail Molotov não era a "Marcha pela Vida", mas sim as escadarias da Assembleia da República, em protesto contra as políticas de habitação. O mesmo amigo disse ser necessário "alguém com visibilidade a mandar a versão verdadeira".

"Pois quem?", perguntou Nelson Vassalo, ao que o seu amigo, Nuno Lopes respondeu: "Tinha que ser um Pedro Marques Lopes desta vida, que não esteja ligado à esquerda". A outra alternativa, de acordo com a conversa, era "o Chicão", numa referência a Francisco Rodrigues dos Santos, ex-presidente do CDS/PP, comentador da CNN/Portugal.

Pub

O contacto com Pedro Costa, outro comentador, também foi equacionado, mas Nuno Lopes desaconselhou, já que, na sua opinião, "esse ia logo demarcar-se".

A acusação do DCIAP sublinha a motivação terrorista do suspeito, referindo que o mesmo estava consciente do perigo que o arremesso do cocktail molotv causaria contra uma manifestação, na qual estavam adultos, crianças, mulheres. Para a procuradora Cláudia Porto, o arguido Nélson Vassalo "agiu com intenção de afetar seriamente os visados (...), mas sobretudo agiu com a intenção de afetar o sentimento de segurança de todos os que defendessem ou viessem a defender aquelas convicções quanto ao aborto, eutanásia e ao suicídio medicamente assistido, capitalismo, extrema direita ou fascismo".

O Ministério Público defende que o arguido deve continuar em prisão preventiva.

Pub

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar