Advogado Arrobas da Silva condenado quatro anos e meio de prisão
Causídico tentou apoderar-se de 645 mil euros. Disponibilizou contas e cheques à rede
"A culpa do arguido é extremamente grave, tendo em conta a sua profissão. Desaconselha-se, com veemência, a suspensão da pena, pois apesar das tentativas frustradas continuou a praticar os crimes". Foi desta maneira que o juiz se justificou para aplicar uma pena efetiva de quatro anos e meio de prisão ao advogado Arrobas da Silva, um dos 45 arguidos que ontem conheceu a sentença num processo de burla, em Monsanto. O objetivo era falsificar cheques e obter o dinheiro. Nove pessoas foram absolvidas.
O advogado - que ficou famoso por participar num programa de TV - esteve em liberdade durante o processo e deverá agora recorrer para o Tribunal da Relação. Até ao resultado do recurso, poderá continuar a exercer.
Segundo o juiz, o advogado deu cinco cheques pessoais à rede e disponibilizou duas contas para que dinheiro obtido de forma ilícita fosse depositado. Arrobas da Silva era, segundo o tribunal, próximo do líder da rede, uma vez que este foi seu cliente. O cabecilha apanhou a pena maior: 10 anos de prisão.
Arrobas da Silva tentou obter 645 mil euros. Num dos casos pediu a uma arguida para levantar um cheque de 420 mil euros, mas este foi anulado. Chegou a conseguir um depósito de 12 500 euros, mas o dinheiro ficou automaticamente cativo.
Confirmados os factos, o Tribunal de Monsanto decidiu condenar o advogado a três anos e meio por burla qualificada e a mesma pena pelo crime de falsificação de documento: em cúmulo, quatro anos e meio.
O cabecilha foi condenado a 10 anos, enquanto uma ex-funcionária da PT – forneceu à rede 26 cheques endossados à empresa – apanhou 6 anos. Foragido continua um antigo gerente do banco Banif, que cedeu dados de clientes. Foi condenado a cinco anos e meio de prisão.
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