ALBARRAN ALVO DE CHANTAGEM

Artur Albarran foi alvo de chantagem por parte de uma advogada com a inscrição suspensa na Ordem dos Advogados (Ana Costa Alves), uma chefe de divisão da Procuradoria-Geral da República (PGR), e dois empresários, por causa de um processo de infracções fiscais – em que o antigo apresentador estará envolvido – que está a ser investigado por um departamento da Procuradoria-Geral da República.

04 de abril de 2004 às 00:00
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Perante o que lhe estava a suceder, Albarran queixou-se às autoridades, pelo que os quatro indivíduos, ontem presentes a Tribunal, foram detidos na sexta-feira pela Polícia Judiciária, através da Direcção Central de Investigação da Corrupção e da Criminalidade Económica e Financeira (DCICCEF), face à forte indiciação da prática de crimes de corrupção, extorsão e violação do segredo de Justiça. A ‘Operação Anel’, segundo designação da PJ, tinha chegado ao fim.

Lisa Albarran contactou ontem o Correio da Manhã, dizendo que já estava a par da situação, mas mostrou-se surpreendida com o facto de uma das pessoas que foi ontem ouvida no TIC ser uma "grande amiga" do seu ex-companheiro. "Sei que a advogada Ana Costa Alves [defendida por Rogério Alves, como o próprio confirmou ontem ao CM] e o Artur eram amigos íntimos. Se calhar, agora, estão zangados. Tudo indica que sim, caso contrário, o Artur não se tinha queixado dela à Polícia", referiu.

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De acordo com o que o o nosso jornal apurou, a "história" da chantagem começou quando a chefe de divisão da secretaria da Procuradoria-Geral da República verificou que o Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) estava a investigar um crime de infracções fiscais, em que uma das pessoas alegadamente envolvidas seria Albarran. Como o lugar que ocupa na secretaria da PGR lhe dava acesso aos processos em curso, fotocopiou o que dizia respeito ao antigo apresentador. Mais tarde, e com a ajuda dos restantes envolvidos, Albarran foi contactado e pediram-lhe 100 mil euros pela totalidade das fotocópias. Albarran terá aceite, mas pediu que o ‘bolo’ fosse dividido em ‘tranches’. Após este primeiro contacto, o agora empresário contactou a Polícia Judiciária e, na altura do pagamento da primeira "tranche", no valor de mais de vinte mil euros, na noite da passada sexta-feira, as autoridades apanharam em flagrante o grupo de quatro pessoas, na residência da funcionária da PGR.

O CM sabe, ainda, que a chefe de divisão da PGR pode estar envolvida em mais situações de chantagem e que Artur Albarran pode vir a ser constituído arguido, dado ser uma das pessoas que está a ser investigada pelo DCIAP num processo por infracções fiscais.

À hora do fecho desta edição, as quatro pessoas denunciadas por Albarran ainda estavam a ser ouvidas pelo juiz de turno do Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa.

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Contactado pelo nosso jornal, Rogério Alves confirmou que representava Ana Costa Alves, recusando prestar mais declarações.

ARGUIDOS ESPERAM DEZ HORAS POR AUDIÇÃO

10h00 - Os quatro suspeitos dão entrada no Tribunal de Instrução Criminal, em Gomes Freire, detidos pela Polícia Judiciária.

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18h11 - O advogado Rogério Alves, defesa de um dos arguidos, a ex-advogada Ana Costa Alves, saiu para tomar café numa pastelaria nas imediações

19h30/20h00 - O juíz do TIC começa a interrogaro primeiro arguido.

21h30 - O advogado Rogério Alves volta a sair do edifício do TIC para ir jantar. Informa os jornalistas que continua o interrogatório do primeiro suspeito, sendo o seu cliente o segundo na linha de interrogatórios. À mesma hora saíram os funcionários de turno, também para jantar.

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21h50 - Os funcionários regressam do jantar.

PROCURADOR SUBLINHA "COLABORAÇÃO EXCELENTE"

O procurador-geral da República, José Souto Moura, sublinhou ontem à noite a “colaboração excelente” entre o Ministério Público (Direcção Central de Investigação e Acção Penal - DCIAP) e a Polícia Judiciária (Direcção Central de Investigação e Combate à Corrupção e Criminalidade Económica e Financeira - DCCCEF), a qual permitiu a detenção dos quatro suspeitos “um mês após a denúncia”.

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Numa referência à funcionária da secretaria da Procuradora-Geral da República, Souto Moura salientou ter havido a“preocupação” por parte dos investigadores de “não deixar escapar fosse quem fosse”. Ao longo da entrevista, em que também o processo Casa Pia foi abordado, o Procurador-Geral da República contou o evoluir deste caso desde o início garantindo que as partes processuais propostas à vítima de chantagem a troco de dinheiro eram parte de um processo-administrativo (infracção fiscal) e não de um processo-crime. Souto Moura recusou precisar os montantes em causa na infracção fiscal, bem como o nome dos envolvidos.

Ex-jornalista, ex-publicitário, empresário. Este o percurso de Artur Albarran, com cerca de 50 anos, que passou ainda por revolucionário em 1975, até chegar, nos anos 90, a braço direito nos negócios em Portugal do ex-embaixador norte-americano e chefe da CIA, Frank Carlucci, sendo o presidente da imobiliária Euroamer, com interesses também na hotelaria e distribuição de géneros alimentares.

O último ano não foi muito propício para Albarran: a separação polémica da ex-mulher Lisa Hardy, de quem tem duas filhas pequenas, com acusações mútuas; alegados escândalos sexuais durante o Verão; e, por último, o deslizar dos negócios, com a alegada falência da cadeia de supermercados ‘Superamérica’, sob a acusação de uma dívida da ordem dos 4668 euros a fornecedores.

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A 1 de Abril, nasceu-lhe o sexto filho, uma menina, fruto da relação actual com Sandra Nobre.

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