Angolana contratada como ama acaba escravizada pela patroa em Portugal
Vítima aliciada com ordenado mínimo ficou isolada, sem passaporte e com telefone vigiado.
Para a jovem angolana, a promessa era atraente: viajar para Portugal e ficar a trabalhar em casa de uma mulher em Oeiras com as funções de ama de uma criança, a troco do salário mínimo português (920 euros, em Angola são cerca de 67 euros). Mas pouco depois de chegar a Portugal percebeu que era um engodo. A jovem foi obrigada a desempenhar também tarefas domésticas de forma continuada, sem contrato de trabalho, sem horários definidos e com pagamentos irregulares e muito inferiores ao acordado, num quadro de especial vulnerabilidade, dependência e isolamento.
A espiral de exploração foi crescendo ao ponto de a jovem ama ser alvo de práticas de controlo e intimidação. Tinha as saídas da residência limitadas e os contactos com o exterior eram condicionados pela patroa, que lhe retirou o passaporte e o telemóvel. Chegou a fazer uma cópia dos conteúdos do aparelho da vítima.
O caso acabou por ser denunciado à Polícia Judiciária e a vítima resgatada na sexta-feira numa operação da Unidade Nacional Contraterrorismo. A patroa, portuguesa, de 48 anos, foi detida e indiciada pelo crime de tráfico de pessoas para fins de exploração laboral. “No decurso da operação, foram cumpridos um mandado de detenção fora de flagrante delito e um mandado de busca domiciliária, tendo sido apreendido material relevante para o prosseguimento da investigação”, adianta a PJ. A suspeita foi libertada com apresentações trissemanais, obrigada a entregar os passaportes angolano e português e proibida de sair do País.
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