"António Costa e a cúpula do PS viraram-me as costas", diz José Sócrates

Antigo primeiro-ministro admite a possibilidade de recorrer ao Tribunal Europeu.

17 de setembro de 2017 às 15:31
3482 escutas contra Sócrates Foto: CMTV
José Sócrates Foto: Getty Images
José Sócrates começou a ser investigado no final de julho de 2013 Foto: Lusa
José Sócrates começou a ser investigado no final de julho de 2013 Foto: Lusa
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José Sócrates saiu do Estabelecimento Prisional de Évora no início de setembro de 2015 e ficou em prisão domiciliária. Esteve dez meses detido preventivamente Foto: João Miguel Rodrigues

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José Sócrates afirmou que António Costa e a cúpula do Partido Socialista lhe viraram as costas nos últimos três anos em entrevista ao La Voz de Galicia. "Os últimos três anos foram muito duros, embora não goste de me lamentar", disse o antigo líder socialista.

O antigo primeiro-ministro disse ainda ser vítima de uma conspiração e refere que a sua relação com o atual Primeiro-Ministro era boa. "Éramos amigos, apesar de tudo o que se dizia. A nossa relação sempre foi boa. Elegi-o como ministro e como meu sucessor natural. Apoiei-o na candidatura à Câmara de Lisboa e depois à secretaria-geral do partido. Tudo acabou quando me detiveram e tanto ele como a cúpula do PS me viraram as costas", afirmou Sócrates.

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A detenção do principal arguido da Operação Marquês aconteceu a 22 de novembro de 2014. José Sócrates era suspeito dos crimes de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais. "Sou inocente e vítima de uma conspiração política, para impedir uma impossível candidatura à Presidência da República e judicial sem precedentes em Portugal", explicou.

Caso Operação Marquês dura há três anos

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José Sócrates comparou-se ao ex-presidente brasileiro Lula da Silva dizendo que a única diferença é que "o partido dele apoia-o e a mim não".

Questionado pelo jornalista sobre os seus advogados, José Sócrates afirma ter plena confiança neles mas afirma não acreditar na justiça portuguesa. "O caso Marquês estende-se sem acusação desde há três anos porque não encontram provas contra mim. Fui detido como um criminoso no aeroporto de Lisboa quando regressava de Paris, ficando em prisão preventiva nove meses e libertado por falta de provas", disse.

José Sócrates admitiu ainda recorrer ao Tribunal Europeu caso não seja feita justiça. "Se chegar a esse ponto acusarei o juiz Carlos Alexandre e a justiça pela atuação contra mim no processo e pelo dano moral que me estão a causar. Não têm o direito de me submeter a esta pressão e desgaste físico e psíquico há três anos. Estão a tentar destruir-me e separar-me da minha família mas não conseguiram, nem conseguirão", afirmou o antigo primeiro-ministro.

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Ainda sobre o juiz, Sócrates faz referência à entrevista que Carlos Alexandre deu à SIC dizendo que perdeu toda a credibilidade quando disse: "Não tive a sorte de ter amigos tão generosos quando Sócrates". O antigo líder socialista afirmou ainda que tudo o que foi publicado na imprensa portuguesa sobre a relação com Ricardo Salgado é falso. "Eu não sou amigo de Ricardo Salgado, nem pertenci a nenhum circulo próximo. Conheci-o depois de ser eleito primeiro ministro e sempre o recebi no meu escritório como os outros, nunca fui ao BES nem tinha o número de telemóvel dele.", explicou José Sócrates.

Durante a entrevista, o antigo primeiro-ministro salienta a gratidão que sente por Mário Soares depois deste ter lutado em sua defesa.

José Sócrates tenta desmentir notícia do CM

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Esta entrevista surge um dia depois do semanário Sol ter exposto a conversa de José Sócrates onde este tenta desmentir uma notícia que o Correio da Manhã publicou.

O antigo primeiro ministro tentou arranjar uma forma de pagar uma dívida da mãe, de 47 mil euros à Autoridade Tributária, no momento em que soube que o Correio da Manhã iria noticiar os factos.

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