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Sócrates pressiona Estado para desmentir CM

Antigo governante é informado sobre dívida de 47 mil euros da mãe ao Fisco.

17 de setembro de 2017 às 01:30

No dia 3 de dezembro de 2013, José Sócrates tentou por vários meios desmentir uma notícia que o Correio da Manhã ia publicar no dia seguinte, e que dava conta de uma dívida de 47 mil euros à Autoridade Tributária da sua mãe, Maria Adelaide Carvalho Monteiro.

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Segundo o semanário ‘Sol’, o antigo primeiro-ministro, que na altura já tinha deixado o cargo há dois anos e meio, tentou pressionar o então diretor-geral dos impostos, Azevedo Pereira, para desmentir o CM, através de um ex-secretário de Estado, Emanuel dos Santos. Queria que este ligasse a Azevedo Pereira para que fizesse uma declaração de que a mãe não tinha dívidas ao Fisco.

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Sócrates pressiona Estado para desmentir CM

Maria Adelaide Carvalho Monteiro tinha vendido um apartamento de luxo, no edifício Heron Castilho, ao amigo de Sócrates e também arguido na operação Marquês, Carlos Santos Silva, mas não declarou as mais-valias ao Fisco.

O CM contactou Sócrates, por telefone e por SMS, para poder fazer o contraditório. O antigo governante não respondeu. Mas fez telefonemas. E através da sua antiga secretária, Catarina Lopes, que tinha um irmão nas Finanças, e com a ajuda da sua gestora de conta na Caixa Geral de Depósitos (CGD), Teresa Veríssimo, pagou a dívida da mãe.

Sócrates queria evitar por tudo que o nome da mãe pudesse integrar a lista dos devedores ao Fisco que é publicada no Portal da Autoridade Tributária. 

Liga a amigo para meter cunha a Azevedo Pereira

Emanuel Augusto dos Santos foi secretário de Estado Adjunto e do Orçamento de José Sócrates. Foi para ele que o antigo governante ligou para tentar chegar ao diretor-geral dos impostos.

Emanuel dos Santos não conseguiu falar com Azevedo Pereira. 

Escolhe ‘general prussiano’ para diretor de um jornal 

As escutas da operação Marquês, em que José Sócrates é um dos principais arguidos, por suspeitas de fraude fiscal, branqueamento de capitais e corrupção, revelaram as intenções do antigo primeiro-ministro de intervir na nomeação de um diretor para o ‘Diário de Notícias’ (‘DN’) ou para o ‘Jornal de Notícias’ (‘JN’).

O escolhido seria Afonso Camões, que é atualmente o diretor do ‘JN’. Aparentemente, e segundo as escutas, já em 2014, Sócrates e Afonso Camões negociavam entre si a nomeação do jornalista para diretor de um dos jornais.

As conversas tinham por base o facto de terem entrado novos acionistas na antiga Controlinveste, que atualmente é a Global Media, e o facto de a empresa ter passado nessa altura, estamos a falar de 2014, a ser presidida pelo então advogado de José Sócrates, Daniel Proença de Carvalho, sobre quem parecia ter influência.

Numa das conversas – pouco depois de o empresário angolano António Mosquito e de o empresário português Luís Montez terem entrado no capital da empresa -, Afonso Camões disse ao antigo primeiro-ministro que poderia ser um "joker leal" em qualquer posição para os novos acionistas e que funcionaria como um "general prussiano que não se amotina".

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