Assassino de Ireneu detido sem reacção
Terminou ontem a perseguição policial a Luís Carlos Santos. O suspeito da autoria material do homicídio do agente da PSP Ireneu Diniz (a 17 de Fevereiro na Cova da Moura), foi detido no Casal da Mira, Amadora. Polícia Judiciária e PSP apanharam-no em casa de uma familiar. O caboverdiano de 41 anos não ofereceu qualquer resistência.
‘Rasta’, – alcunha que ganhou devido às longas tranças que usava no cabelo (entretanto rapado) –, foi surpreendido pouco depois das 12h00. “A operação foi preparada para que ele não esboçasse qualquer reacção”, disse ao CM fonte policial.
A 22 de Março, dia em que foi detido Lino, o ‘Bechona’, de 20 anos, – primeiro suspeito da morte do agente Ireneu Diniz –, Luís Carlos Santos esteve perto de ser, também ele, apanhado. PJ e PSP não conseguiram cumprir esse objectivo.
A troca de informações entre Judiciária e PSP intensificou-se a partir daí, com operações conjuntas. A mais espectacular de todas foi noticiada pelo CM quarta-feira passada. Passou-se no domingo de Páscoa, na estação de Santa Apolónia, Lisboa, quando o comboio ‘Sud’Express’ para Paris, França, teve a partida abortada pelas polícias. Uma denúncia anónima colocava Luís Santos dentro do comboio, mas tal não se veio a confirmar.
Anteontem à noite, já na posse de novos mandados de busca e detenção, a PJ pediu o auxílio da PSP da Amadora, com quem preparou a operação de detenção.
Apesar de, entretanto, o suspeito ter mudado de visual – rapou os longos cabelos e deixou crescer a barba – foi possível aos inspectores da PJ chegarem a uma casa do Casal da Mira, arredores da Amadora. Pouco depois das 12h00, Luís Santos foi finalmente detido. Estava em casa de uma familiar.
Presente ao Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa, ‘Rasta’ ficou em prisão preventiva na cadeia anexa à PJ de Lisboa.
ESTÁ POR IDENTIFICAR UM DOS SUSPEITOS
Dois já estão detidos. Faltam ‘cair’ outros dois. É esta a convicção da PJ e PSP, que ainda não deram por terminada a investigação à morte do agente da PSP Ireneu Diniz. Um dos fugitivos já está identificado. É caboverdiano, tem cerca de 30 anos, e suspeita-se que seja familiar de ‘Celé’, um traficante de droga da Cova da Moura, morto a tiro, em 2003, pelo Grupo de Operações Especiais da PSP. No entanto, o quarto elemento do grupo de carrascos de Ireneu permanece por identificar. Existem quatro suspeitos, todos ligados ao tráfico de droga. Os investigadores esperam em breve chegar ao indivíduo. Recorde-se que, a 17 de Fevereiro, Ireneu Diniz e Nuno Saramago saíram da esquadra de Alfragide, para patrulhar a Cova da Moura. Pelas 05h00, o jipe onde seguiam passou pela Rua Principal daquele bairro. Foi então que desabou sobre a viatura uma forte barragem de fogo. Ireneu foi baleado 22 vezes. Morreu já no hospital. Nuno Saramago escapou ileso.
'UZI' EM SACO DE MILHO
Minutos depois de, a 17 de Fevereiro, ter participado na emboscada fatal contra o agente da PSP Ireneu Diniz, Luís Carlos Santos foi lesto em desembaraçar-se da arma do crime. Segundo indicaram ao CM fontes policiais, é convicção dos investigadores que ‘Rasta’, como é conhecido no submundo do crime, terá procurado abrigo numa pequena mercearia nas imediações do local do crime, na Cova da Moura. A pistola-metralhadora ‘Uzi’, a arma que ‘Rasta’ alegadamente disparou contra o jipe ‘Land-Rover’ onde seguiam Ireneu e o colega Nuno Saramago, depressa terá sido escondida no interior de um saco de milho. A PSP terá, nas horas que se seguiram ao crime, sido informada desta situação. Mas, quando inspectores da Polícia Judiciária passaram revista àquele local, no sentido de tentar reaver a ‘Uzi’, a mesma já lá não se encontrava. Suspeita-se que a arma tenha sido destruída.
PSP 'LIMPOU' AMADORA
Vinte e cinco detidos, quatro identificados, apreensão de armas, droga, e variadíssimos artigos roubados. É este o balanço feito pela PSP de Lisboa da operação levada a cabo, por dezenas de efectivos da Divisão da Amadora, entre 22 e 31 de Março, em vários pontos dos concelhos da Amadora e Sintra. Após semanas de investigações, o comandante-metropolitano da PSP de Lisboa deu ordem para que o efectivo saísse para o terreno. Assim, após buscas no Cacém, Damaia, Estrada Militar, e Bairros da Cova da Moura, Estrela de África e 6 de Maio, foram detidas 22 pessoas por posse de droga, armas de fogo e armas brancas. Três outras pessoas foram detidas por condução ilegal. Foram ainda apreendidas doze armas de fogo, dezenas de munições de vários calibres, telemóveis e outros artigos furtados. No relatório ontem divulgado pela PSP consta ainda a apreensão de droga e dinheiro.
ARMAS
A operação policial que, ontem, levou à detenção de Luís Carlos Santos, suspeito da morte do agente Ireneu Diniz, terminou sem que fossem apreendidas quaisquer armas.
AMADORA
Desde 27 de Dezembro de 2004, altura em que falhou o regresso à cadeia de Vale de Judeus, que se suspeita que Luís Carlos Santos tenha pernoitado no concelho da Amadora.
AUTÓPSIA
A autópsia feita ao agente da PSP Ireneu Diniz revelou que para a sua morte contribuíram os disparos da pistola-metralhadora ‘Uzi’ alegadamente feitos por Luís Carlos Santos.
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