Avaria empurra doentes para privado

Os doentes que precisam de uma intervenção laser no serviço de oftalmologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC) estão a ser colocados em listas de espera desde que se avariou o equipamento designado por laser de excinera, há quase três anos. A situação é de tal forma insólita que há quem desespere e opte por recorrer ao sector privado.

28 de agosto de 2005 às 00:00
Avaria empurra doentes para privado Foto: Carlos Jorge Monteiro
Partilhar

Dina Tavares tem 31 anos e está na lista de espera para ser operada a problemas de miopia e herpes nos olhos. Emigrante em França – onde nasceu e ficou até aos 26 anos – a doente vive actualmente em Mira, onde procurou uma consulta no ano passado: “O médico disse-me que ia para a lista de espera, porque a máquina tinha uma peça partida e não compensava o arranjo”, conta, acrescentando que “a outra solução era ser operada numa clínica privada”.

Mãe de dois filhos, Dina Tavares não está “surpreendida pelo tempo de espera” e realça que “o sistema de saúde em Portugal não presta”. Sem dinheiro para recorrer ao sector privado, a doente não coloca de parte a possibilidade de ir ao Luxemburgo para ser operada. “Tenho lá uma irmã gémea, até já pensei fazer-me passar por ela para ser operada”, desabafa, justificando o pensamento: “Não quero cegar e deixar de ver os meus filhos”.

Pub

O equipamento é usado em correcções ópticas, como a miopia, “modificando a curvatura da córnea do olho”, de forma a proporcionar maior comodidade ao doente, que deixa de precisar de usar óculos ou lentes de contacto, explica José Guilherme Cunha Vaz, director do Serviço de Oftalmologia dos HUC. Uma situação que “na maioria dos casos tem sido ultrapassada com o recurso à terapêutica normal”, além disso, “ninguém fica cego pela máquina não estar a funcionar”, garante.

Uma vez que se trata de “uma máquina obsoleta e ultrapassada”, chegou-se à conclusão de que o conserto não se justifica, daí que tenha sido feito um pedido de substituição. No entanto, os governos anteriores foram adiando a aquisição, alegando “contenção financeira” para não comprar um modelo novo, que ronda “os 400 mil euros”.

O responsável do serviço não esconde que lamenta o caso: “Apesar de não ser uma necessidade premente, um serviço de ponta e um dos melhores da Europa – como é o do hospital – não pode estar sem este aparelho”. No entanto, e porque o concurso público está a decorrer, o director espera que tudo se resolva “entre Outubro e Janeiro.”

Pub

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar