Bar de alterne atacado

A Polícia Judiciária está a investigar um incêndio que ontem de madrugada destruiu um bar de alterne, em Souto, no concelho de Abrantes. Os proprietários suspeitam de um cliente que terá sido visto, pelas 03h30, a atirar uma garrafa cheia de gasolina contra a porta de serviço. Este homem, horas antes, tinha sido expulso do estabelecimento.

17 de outubro de 2005 às 00:00
Bar de alterne atacado Foto: Cosme Durão
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O incêndio destruiu mobiliário, mesas e cadeiras, a instalação eléctrica, o aparelho de ar condicionado, uma televisão, a aparelhagem de som e um leitor de DVD. Os prejuízos elevados. “Pelo menos uns três ou quatro mil euros”, segundo um dos sócios do Contraste Bar, que tinha reaberto na última sexta-feira, remodelado e com nova de gerência.

O empresário não acredita que o ataque tivesse sido motivado por vingança – como aconteceu no bar Mea Culpa, em Amarante, em 1997, crime que fez 13 mortos. O empresário, que pede para não ser identificado, suspeita que o incêndio foi provocado por um cliente, com cerca de 40 anos, que tinha sido expulso. “Pusemo-lo na rua porque estava a fazer desacatos cá dentro. Nem pagou uma conta de 80 euros. Ele ameaçou-nos e depois atirou uma garrafa com gasolina contra a porta de serviço. Há testemunhas que viram”, afirmou, ontem, ao CM.

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À hora do incêndio, 03h30, restavam 10 pessoas no bar, incluindo clientes, mas ninguém sofreu ferimentos. As chamas que consumiam a porta de serviço foram rapidamente apagadas, o estabelecimento encerrou e toda a gente abandonou o local. No entanto, uma hora depois, um dos sócios voltou atrás e encontrou o interior do Contraste Bar a arder.

“Não pode haver aqui vinganças porque nunca houve problemas nenhuns com ninguém”, afirmam os empresários, que tinham gasto dois mil euros na remodelação do espaço quando passaram a geri-lo. Têm seguro, mas nas próximas semanas o bar não vai abrir.

Os bombeiros foram alertados, mas seria a ajuda de alguns moradores do Souto a permitir apagar as chamas. “Quando nós chegámos já o fogo estava extinto. O trabalho foi assegurar um rescaldo bem feito”, explicou o adjunto de comando dos Bombeiros Municipais de Abrantes, Álvaro Beirão, afirmando desconhecer as causas do sinistro. A corporação enviou três viaturas e nove bombeiros.

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O caso está a ser investigado por inspectores da Polícia Judiciária de Leiria.

MEA CULPA FEZ 13 MORTOS

A noite mais negra da história do alterne em Portugal aconteceu a 12 de Abril de 1997, em Amarante, no bar Mea Culpa: 13 pessoas morreram num incêndio iniciado com gasolina por três operacionais que cumpriam o plano do proprietário de outro bar de alterne, o Diamante Negro.

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Acabar com a concorrência terá sido o propósito do mandante da matança. Ele contratou um intermediário que reuniu a equipa de três operacionais. Os cinco foram condenados em primeira instância, no Tribunal de Penafiel, a 25 anos de cadeia. “O desenrolar da operação foi rodeado de uma violência bárbara, delirante e gratuita, elucidativa de requintes de malvadez”, afirmou a presidente do colectivo de juízes na leitura do acórdão.

Os três operacionais entraram no bar com gorros até ao pescoço, luvas e armas de fogo (dois revólveres e uma espingarda), ameaçando os clientes e funcionários do Mea Culpa: “Ides morrer todos fritos”, disseram. O proprietário do bar foi agredido à coronhada. Vinte e duas pessoas conseguiram fugir à morte anunciada.

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