CANCELA ROUBA VIDA A BEBÉ EM INFANTÁRIO DE ODIVELAS

Uma menina de 22 meses faleceu ao final da tarde de anteontem no infantário que frequentava, em Ponte da Bica, Odivelas. A criança foi encontrada, segundo a PSP, com a cabeça entalada nas grades de uma cancela de separação entre duas salas. As primeiras suspeitas apontam como causa provável de morte a asfixia. A autópsia deverá realizar-se hoje.

24 de julho de 2002 às 22:17
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Tudo se passou pelas 17h00. Funcionários do jardim de infância ‘Cantinho do João’, no Bairro Encosta da Eira, deram com o corpo da menina, que estava com a cabeça entalada entre as ripas de madeira de uma cancela que fazia a separação entre duas salas.

Segundo apurou o Correio da Manhã, uma das pessoas que primeiro acorreu ao local foi a mãe da menina, funcionária do infantário.

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Quando o INEM chegou ao infantário encontrou a criança já cadáver. Suspeita-se que a causa da morte seja a asfixia, provocada pelas ripas de madeira que faziam de grade. Fontes contactadas sustentam que a tragédia poderá ainda dever-se a uma lesão grave na cabeça ou pescoço provocada pela cancela ou por queda sobre a mesma.

Fonte da direcção do infantário - que se encontrou encerrado durante todo o dia de ontem -, contactada pelo CM, negou-se a prestar qualquer declaração enquanto não for conhecido o resultado da autópsia, a realizar hoje.

Segundo fonte do Departamento de Fiscalização do Ministério da Segurança Social e do Trabalho, o ‘Cantinho do João’ encontra-se ilegal, tendo sido emitida, em 2001, uma ordem de encerramento por falta de alvará de funcionamento. Essa ordem deveria ter sido cumprida até ao dia 31 de Dezembro. Tendo sido solicitada prorrogação do prazo, a entidade proprietária foi novamente informada, dia 10 de Abril deste ano, que teria de cessar a actividade. O encerramento coercivo iria concretizar-se até ao final do período lectivo. Três inspectoras daquele organismo estiveram ontem mais de três horas a vistoriar o infantário.

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RIPAS

A cancela em causa, segundo foi possível apurar, tem 86 centímetros de altura, 60 de largura e é composta por seis ripas de madeira, separadas entre si por pouco menos de sete centímetros. A cancela encontrava-se a fazer a separação entre duas salas onde estavam crianças.

PÂNICO

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“Entrou tudo em pânico”, relatou ao CM a mãe de uma criança da mesma sala da menina que faleceu. Segundo a mesma, que não se quis identificar, os proprietários são “pessoas de responsabilidade”. “Não mereciam isto. Estão a sofrer o mesmo que nós...”, desabafou.

SEM CONDIÇÕES

Nas inspecções efectuadas ao estabelecimento foram detectadas diversas irregularidades. Há a referir, segundo a Segurança Social, “a deficiente protecção das janelas e varandas. As condições técnicas são também muito deficientes”, refere uma nota daqueles serviços.

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