Caparica está ameaçada pela fúria do temporal

A zona Norte da Costa da Caparica está de novo em situação crítica, com o mar a destruir o cordão de dunas, na zona da Praia de S. João/Inatel. Os utentes do parque de campismo desta instituição foram evacuados por cautela. Os mais pessimistas acreditam que, uma vez que as ondas rompam as dunas, as águas invadirão toda a orla posterior, podendo chegar ao Bairro da Cova do Vapor, dado a zona estar abaixo do nível do mar.

09 de dezembro de 2006 às 00:00
Caparica está ameaçada pela fúria do temporal Foto: Bernardo Coelho
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Em três dias, as vagas fortes da preia-mar já desfizeram mais de dez metros de duna, deixando a descoberto a ‘raiz’ de argila, que, embora mais lentamente, também está a ser destruída. E o maior problema são as marés-altas da madrugada que ‘enrolam mais mar’.

“Temos aqui a factura de cinco anos em que não se fez rigorosamente nada, onde apenas houve remendos em vez de uma intervenção de fundo”, disse ao CM o presidente da Junta de Freguesia da Costa da Caparica, António Neves. Em Abril passado, quando o INAG efectuou várias intervenções na Costa da Caparica, o autarca sugeriu ao presidente do Instituto que aproveitasse ter ali os meios para proceder ao reforço da costa naquela zona. “A resposta que tive foi a de que não havia dinheiro”, acrescentou António Neves.

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Toda a tarde de ontem, uma autêntica romaria de ‘mirones’ acorreu ao local para ver a destruição das ondas, abeirando-se, por vezes perigosamente, das dunas em derrocada. Derrocada esta que chegou a arrastar arbustos de porte.

“Mandamos a Engenharia para o Líbano, mas cá não se faz nada”, foi o comentário que os populares mais fizeram ao observar a destruição das dunas.

António Neves alertou os Bombeiros de Cacilhas, para a necessidade de isolar a zona em risco, mas sem qualquer resultado positivo. Alertada também a Polícia Marítima (PM) para a situação, a resposta foi a de que aquela força tinha outras prioridades não podendo ir para o local garantir uma zona de segurança. Só quando a governadora Civil de Setúbal, Teresa Almeida, chegou ao local é que também chegou uma patrulha da PM que, então, afastou as pessoas para uma área mais segura.

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Teresa Almeida confirmou que a Protecção Civil municipal e distrital estão em alerta até a próxima segunda-feira e que está montado um dispositivo de contenção das águas, quando acontecer a ruptura. “Neste momento não há possibilidade de intervenção, nomeadamente pelo INAG, e tem de se esperar por uma ruptura para se saber onde intervir”, acrescentou a delegada do Governo.

INUNDAÇÕES NO MINHO

Devido à chuva intensa e fortes rajadas de vento, os bombeiros tiveram ontem uma madrugada de muito trabalho na região do Minho. Dezenas de árvores caídas sobre a via pública e inúmeras inundações em ruas e habitações marcaram o cenário em vários concelhos, desde Valença e Viana do Castelo a Braga e Guimarães. As águas pluviais provocaram ainda a queda de diversos muros.

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Durante a madrugada e o dia de ontem (com períodos de sol a alternarem com a queda de chuva intensa e granizo), equipas de protecção civil percorreram as zonas junto aos rios Minho, Lima, Cávado e Ave, por forma a alertarem as populações para a subida dos caudais. Contudo, isso não evitou que em Valença o condutor de um automóvel tenha sido surpreendido pela subida do Rio Minho.

O automobilista – hospitalizado com hipotermia – foi resgatado pelos bombeiros quando a água se encontrava já a 40 centímetros de cobrir o tejadilho da viatura, salva por um rebocador.

BAIXA DE ÁGUEDA ALAGADA

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A subida do caudal do rio, durante a madrugada, fez entrar cerca de um metro de água na zona baixa da cidade. De acordo com Jorge Almeida, responsável da Protecção Civil, “os moradores e comerciantes foram avisados e os bens estavam acautelados, pelo que os prejuízos não são elevados”.

Também a EN230, que liga Aveiro a Águeda, foi cortada e mantinha-se condicionada ontem, ao fim da tarde.

NEVE PÁRA TURISTAS

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Um forte nevão caiu ontem, pelas 12h00, na Serra da Estrela, e obrigou ao corte da estrada, entre a Lagoa Comprida e o Sabugueiro, durante uma hora. Mais de meia centena de carros ligeiros e autocarros ficou bloqueada na neve.

CHEIAS NO TEJO

A “precipitação significativa” que nos últimos dias se fez sentir na bacia hidrográfica do rio Tejo levou à activação do Plano Especial de Emergência para Cheias, às 16h45 de ontem. O Reguengo do Alviela vai voltar a ficar isolado, devido à submersão da EN356.

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ÁRVORES CAEM

A queda de uma árvore centenária junto ao Hospital Sousa Martins, na Guarda, causou ontem danos em três viaturas, uma das quais do INEM.

MURALHA RUIU

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Um troço com mais de 25 metros de comprimento da muralha interior da Fortaleza de Viana ruiu na última noite, devido a obras de intervenção e cuja estabilidade foi afectada pela chuva intensa que caiu na região.

RAIZ DAS DUNAS

A ‘raiz’ das dunas da costa Norte da Caparica é uma estrutura em argila colocada no local entre finais dos anos 50 e meados dos anos 60 do século passado, sendo depois coberta pela duna de areia.

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INUNDAÇÕES

No distrito de Leiria, registaram-se 103 ocorrências causadas pelo mau tempo das 00h00 às 19h30. Houve 87 quedas de árvores, onze inundações e infiltrações de água e cinco deslizamentos de terras.

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