Carrinha ia a 120 km/h numa estrada de 80
Carrinha onde morreram 12 emigrantes portugueses foi multada 14 vezes pela polícia francesa.
Sete dias antes do acidente que matou 12 emigrantes portugueses em Moulins, França, a 24 de março de 2016, a carrinha que fazia o transporte - e que chocou com um camião ao ultrapassar - já tinha sido multada na zona por excesso de velocidade. A referência é feita na acusação do Ministério Público francês, a que o CM teve acesso, contra Ricardo Pinheiro, o condutor, 21 anos, e o tio Arménio Martins, 43 anos, proprietário do veículo, da zona de Trancoso. Estão indiciados por homicídio involuntário.
Entre julho de 2015 e 17 de março de 2016, a acusação refere que a carrinha foi detetada 14 vezes a circular em excesso de velocidade em França, tendo sido multada. No dia do acidente os peritos calcularam que seguia a uma velocidade média de 120 quilómetros por hora, quando o limite máximo de velocidade naquela via era de 80.
As condições de segurança da viatura são também referidas no despacho. O relatório de peritagem citado na acusação salienta, nomeadamente, a manutenção deficiente , pneus velhos (dois com mais de dez anos no reboque) e com pressão insuficiente com risco de rebentamento, e bagagens não amarradas. A lista de deficiências que contribuiu para a projeção dos assentos refere ainda a ausência de quatro cintos de segurança, parafusos e porcas oriundas não de equipamento automóvel mas de armários e, entre outras, a sobrecarga do veículo. A velocidade excessiva, a ausência de manutenção e o "defeito de encravamento das bancadas projetaram os passageiros contra o teto da carrinha por duas vezes", refere o despacho.
Imprudente
Os peritos apontam a condução "perigosa e imprudente", a velocidade excessiva, a sobrecarga do veículo e uma manobra de ultrapassagem como as principais causas do acidente.
Veículo
A carrinha em causa "não é um veículo destinado ao transporte de passageiros (e ainda menos para mais de seis pessoas)", salientou o perito, ao concluir que é usada na construção civil.
Muda versão
O dono do veículo disse no início que tinha dado boleia a três portugueses que tinham uma avaria no carro. Depois negou e disse que estimava ter levado 10 de Fribourg e 3 de Granges Mornand.
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